Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Café pode mexer com remédios, ferro, colesterol e microbioma

Além da cafeína, compostos do café podem interferir na digestão, na absorção de nutrientes e na ação de medicamentos.

Café pode mexer com remédios, ferro, colesterol e microbioma
Foto: Jean-Louis Aubert/Unsplash/

O café reúne centenas de compostos bioativos capazes de interagir com o sistema digestivo, o microbioma, medicamentos e nutrientes. Esses efeitos não dependem necessariamente da cafeína: também podem ocorrer com a versão descafeinada.

Interações com medicamentos e condições de saúde

A bebida pode reduzir a absorção da levotiroxina, usada no tratamento da tireoide, e do alendronato, indicado para osteoporose. A cafeína também pode retardar o metabolismo da clozapina, um antipsicótico, elevando a concentração do medicamento no sangue.

O caminho inverso também ocorre. A ciprofloxacina, um antibiótico, pode desacelerar a metabolização da cafeína. Com isso, o café consumido habitualmente pode permanecer por mais tempo no organismo.

Em algumas pessoas, o café agrava sintomas de refluxo. O retorno do ácido estomacal ao esôfago pode estar associado a tosse, chiado no peito e outros sintomas respiratórios quando atinge a garganta e as vias aéreas.

A cafeína ainda pode elevar temporariamente a pressão dentro dos olhos em pessoas com glaucoma ou hipertensão ocular. Por isso, alguns pacientes com essas condições podem ser orientados a limitar o consumo de café e cafeína. Já na disfunção da trompa de Eustáquio patulosa, há poucos indícios diretos de que o café seja a causa, embora algumas pessoas sejam aconselhadas a reduzir bebidas com cafeína e manter-se hidratadas.

A relação com a enxaqueca também varia. A cafeína pode ajudar a aliviar uma crise, mas o consumo excessivo ou a redução repentina do hábito pode desencadeá-la em algumas pessoas.

Colesterol, ferro e bactérias intestinais

Dois diterpenos presentes no café, cafestol e kahweol, podem elevar o colesterol total e o LDL. Em estudos de curto prazo, porém, os mesmos compostos reduziram a lipoproteína (a). Outros componentes, como os ácidos clorogênicos, podem diminuir modestamente a pressão arterial e melhorar o funcionamento dos vasos sanguíneos. O efeito geral da bebida sobre os indicadores de saúde cardíaca ainda não está definido.

O café também pode dificultar a absorção do ferro não-heme quando é consumido durante uma refeição. Essa é a forma encontrada principalmente em alimentos de origem vegetal. Os polifenóis, incluindo os ácidos clorogênicos, podem se ligar ao ferro no trato digestivo. O efeito é mais relevante para quem já tem níveis baixos do mineral ou depende fortemente de fontes vegetais.

Parte dos ácidos clorogênicos não é absorvida no intestino delgado e chega ao cólon, onde as bactérias os transformam em outros compostos. Carboidratos complexos e melanoidinas formadas na torrefação também podem alcançar essa região e ser fermentados. Pequenos estudos em humanos indicam mudanças na composição do microbioma intestinal, mas as evidências ainda não permitem classificar o café como probiótico.

Efeitos sobre intestino e apetite

Cerca de três em cada dez pessoas relatam vontade de ir ao banheiro logo após beber café. A reação pode aparecer tanto com a bebida comum quanto com a descafeinada, e os compostos responsáveis ainda não foram identificados com precisão. Leite e alguns adoçantes sem açúcar podem intensificar o funcionamento intestinal, sobretudo quando consumidos em grande quantidade.

A bebida também pode ativar o pâncreas a liberar tripsina, enzima envolvida na digestão de proteínas, mesmo quando não há alimentos no sistema digestivo. Esse efeito aparece com café normal e descafeinado, o que aponta para a participação de outros compostos além da cafeína.

O café pode influenciar hormônios intestinais ligados à fome e à saciedade, mas os estudos não mostraram de forma consistente se isso leva a comer mais ou menos. Assim, seus efeitos vão além da sensação de alerta: a bebida pode atuar em diferentes partes do organismo por meio de uma combinação complexa de substâncias.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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