SÃO PAULO — Preservar a massa muscular deve ser uma das prioridades no tratamento da obesidade, além da redução do peso. A orientação foi apresentada por especialistas durante o XXX Congresso Brasileiro de Nutrologia (CBN 2026), realizado na quinta-feira (24), em São Paulo.
No Brasil, o número de adultos com obesidade cresceu 118% entre 2006 e 2024, chegando a 8,686 milhões de pessoas, segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), do Ministério da Saúde.
Proteínas como complemento
A médica nutróloga Ligie Helena Moreira Brito, integrante da comissão científica da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), afirmou que a perda de peso representa apenas uma parte do tratamento. Para ela, manter a massa magra, especialmente a muscular, contribui para resultados clínicos e funcionais melhores.
A especialista alertou para a grande oferta de produtos classificados como proteicos, como bebidas, barras de cereais e itens diet ou light. Esses produtos podem auxiliar a rotina, mas não devem substituir uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados.
“É fundamental ressaltar que a suplementação é um adjuvante, jamais um substituto para uma refeição principal”, afirmou Ligie Helena. Segundo ela, os suplementos devem ser considerados quando a dieta não consegue alcançar as metas nutricionais e precisam ter respaldo científico.
O acompanhamento médico é especialmente importante para pacientes que usam fármacos análogos de GLP-1, que podem apresentar náuseas, constipação, diarreia e queda capilar em razão da redução acentuada do volume alimentar. Nesses casos, um suplemento pode ser usado de forma estratégica, como a adição de whey protein a um iogurte com poucos ingredientes ou a um café.
Exercício e recuperação
William Komatsu, pós-doutor em Medicina Esportiva e doutor em Ciências Endocrinológicas, destacou a relação entre descanso e ganho de massa muscular. Ele defendeu que a atividade física seja prescrita pelo médico com a mesma formalidade dada aos medicamentos, para facilitar a adesão do paciente.
A recomendação apresentada é priorizar sessões mais frequentes, com menor duração e estímulo adequado para o fortalecimento muscular. O objetivo é evitar a sarcopenia, sem recorrer à busca por fórmulas mágicas ou ao consumo excessivo de suplementos.
Komatsu também afirmou que não é necessário realizar grandes volumes de treinamento. O exercício precisa ser associado a sono de qualidade e ingestão suficiente de proteínas. “Um pouquinho, sendo bem feito, com as cargas corretas, já é o adequado”, disse.
Ligie Helena também relacionou a perda de vitalidade facial e a queda acentuada de cabelo a processos de emagrecimento sem orientação, que podem desnutrir o paciente. Ela ressaltou que o tratamento exige condução médica e que o paciente siga adequadamente as orientações recebidas.








