A recuperação do peso após o emagrecimento é influenciada por mecanismos do próprio organismo, que pode aumentar a fome ao interpretar a redução dos quilos como sinal de escassez de alimentos. Para cada quilo eliminado, essa resposta pode levar à ingestão de cerca de 95 calorias adicionais no dia seguinte, afirma Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).
“O nosso organismo não foi feito para perder peso. Quando você perde peso, o organismo acha que você está passando fome, está desnutrido, e ele tem mecanismos que liberam alguns hormônios para que você tenha mais fome”, explica Ribas Filho.
Cuidado além da balança
A nutrologia passou a considerar a obesidade uma doença crônica, e não apenas uma questão estética. O tratamento envolve a redução dos impactos da condição sobre diferentes sistemas do organismo e a criação de estratégias para preservar os resultados ao longo do tempo. A resposta às dietas varia entre as pessoas porque o metabolismo não funciona da mesma maneira para todos.
Ribas Filho afirma que a obesidade está associada a mais de 250 comorbidades. A perda de peso pode beneficiar aspectos como pressão arterial, diabetes e bem-estar emocional. Nesse contexto, o acompanhamento médico não se limita à quantidade indicada pela balança.
Nelson Iucif Júnior, especialista em Geriatria e Nutrologia e responsável pelo Departamento de Geriatria da Abran, relaciona o controle do diabetes a diferentes frentes de cuidado. Além dos medicamentos, ele cita alimentação, mudança no estilo de vida e exercício físico adequado. Com esse conjunto de medidas, o paciente pode precisar de menos remédios e controlar complicações da doença.
Seis eixos de tratamento
Segundo Ribas Filho, a nutrologia coloca no centro do cuidado a alimentação, o metabolismo, a atividade física e outros hábitos. Ele considera seis eixos fundamentais: dietas adequadas, atividade física, mudança no estilo de vida, sono adequado, conexões sociais e espiritualidade.
A indicação de medicamentos para obesidade não ocorre apenas pela intenção de perder alguns quilos por motivos estéticos. O especialista afirma que o uso pode ser considerado em situações específicas, com índice de massa corporal acima de 27 e presença de comorbidades.
Uso de medicamentos exige seguimento
As canetas emagrecedoras não são apresentadas como solução isolada. De acordo com Ribas Filho, interromper o tratamento sem acompanhamento pode favorecer a recuperação do peso perdido. Ainda não existem evidências suficientes de médio e longo prazo para definir exatamente como deve ser feita a manutenção após o uso de agonistas de GLP-1.
Uma possibilidade discutida pelo especialista é reduzir gradualmente a frequência de aplicação, sempre com acompanhamento médico. A manutenção do peso, nesse modelo, integra o tratamento da doença crônica e depende da continuidade das mudanças no estilo de vida.








