Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Política

Investigações rastreiam recursos destinados ao filme Dark Horse

Polícia Federal e outros órgãos apuram quanto foi arrecadado, por quais estruturas o dinheiro passou e qual foi sua destinação.

Nacional - Quanto dinheiro passou por Dark Horse? Família Bolsonaro inovou nas formas de arrecadação com o filme

As investigações sobre o financiamento de Dark Horse, filme produzido para contar a trajetória de Jair Bolsonaro, ainda não determinaram quanto dinheiro foi efetivamente captado nem a origem e a destinação de todos os recursos. A produção ainda não estreou.

A Go Up Entertainment afirma, com base em perícia privada contratada por sua defesa, que o filme custou US$ 13,4 milhões, aproximadamente R$ 75 milhões. O documento sustenta que o Havengate teria bancado toda a produção, mas não identifica nominalmente todos os financiadores.

Repasse ligado ao Banco Master

A terceira fase da Operação Carbono Oculto, chamada Crédito Oculto, colocou a Entre Investimentos no centro das apurações. A Polícia Federal aponta a empresa como intermediária de recursos enviados por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, ao fundo norte-americano Havengate, ligado ao financiamento do filme.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a Entre recebia recursos do Banco Master e de grupos ligados ao crime organizado. Questionado sobre a possibilidade de o dinheiro usado nas operações relacionadas ao filme ter saído dessa estrutura, afirmou que “tudo indica que sim”, mas ressaltou que a investigação precisa rastrear a origem de cada recurso.

Flávio Bolsonaro admitiu ter procurado Vorcaro para buscar financiamento privado para a obra. O valor inicialmente discutido chegou a US$$ 24 milhões, cerca de $$ 134 milhões na época. Vorcaro teria destinado US$$ 12,33 milhões ao projeto, quantia hoje próxima de $$ 63 milhões, por meio da Entre Investimentos e do Havengate Development Fund, sediado nos Estados Unidos.

Valores recebidos pela produtora

Documentos analisados pela Polícia Federal e pelo Coaf registram aproximadamente R$ 8,95 milhões em créditos diretos nas contas da Go Up entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. Entre os remetentes estavam Moneycorp Banco de Câmbio, com R$ 3,92 milhões; GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural, com R$ 2,61 milhões; Marcello de Oliveira Lopes, com R$ 1 milhão; NTT Brasil, com R$ 750 mil; e Mário Frias, com R$ 645,4 mil.

A Moneycorp pode ter participado da conversão de recursos estrangeiros. Já a GO7 pertence a Karina Gama, que também controla a Go Up. Marcello Lopes, ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro, disse que fez investimento privado com recursos próprios. A Polícia Federal não atribuiu irregularidade específica ao pagamento.

Emendas e atuação de Eduardo Bolsonaro

A Polícia Federal investiga R$ 2 milhões em emendas destinadas por Mário Frias a entidades comandadas por Karina Gama. Frias é produtor-executivo e um dos roteiristas de Dark Horse.

Relatórios da Controladoria-Geral da União apontaram problemas na execução dos projetos. O Instituto Conhecer Brasil recebeu R$$ 700 mil e transferiu os recursos para a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional. Depois, a NTT Brasil, ligada ao mesmo grupo empresarial, enviou $$ 750 mil à Go Up. A PF apura se houve circulação de dinheiro público até a produção, mas não concluiu que os dois valores sejam os mesmos.

Flávio Dino afirmou haver indícios, ainda no “terreno hipotético da investigação”, de que Frias teria papel de liderança na suposta arquitetura de desvio de emendas. Frias nega irregularidades e declara que os recursos foram destinados a projetos sociais. A PF também questiona a compatibilidade dos R$ 645,4 mil transferidos por ele à produtora com seus rendimentos declarados.

Relatório da PF registra ainda que Eduardo Bolsonaro apresentou orientações sobre a administração dos recursos nos Estados Unidos. O Havengate foi criado por Paulo Calixto e Altieris Santana. Calixto é advogado ligado a Eduardo. O fundo, antes voltado a operações imobiliárias e praticamente inativo, começou a receber recursos em fevereiro de 2025.

As informações públicas não permitem afirmar que o dinheiro formalmente destinado ao filme tenha sido usado em despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro ou de sua família. Também não há conclusão sobre eventual uso de recursos do projeto em atividades políticas ou eleitorais.

A produtora declara custo de aproximadamente R$ 75 milhões, enquanto as negociações com Vorcaro chegaram a aproximadamente R$ 134 milhões. Como algumas operações podem representar etapas diferentes da circulação do mesmo dinheiro, a soma dos valores não indica, por si só, o total movimentado.

As apurações envolvem o Banco Master, o Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público. As autoridades ainda tentam identificar quem financiou o projeto, quanto foi arrecadado, por quais estruturas os recursos passaram e onde foram aplicados.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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