Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Café modifica bactérias intestinais e pode afetar memória, sono e humor

Pesquisa com adultos saudáveis encontrou efeitos associados às versões com cafeína e descafeinada, mas aponta limites no tamanho e no tipo da amostra.

Café modifica bactérias intestinais e pode afetar memória, sono e humor
Foto: Rudra Dev/Pexels

Uma pesquisa publicada em abril na revista Nature Communications encontrou mudanças na microbiota intestinal de consumidores de café e relacionou a bebida a alterações em humor, estresse, memória, sono e cognição. Os resultados apareceram tanto com café com cafeína quanto com a versão descafeinada.

O estudo avaliou 62 adultos saudáveis. Os participantes que tinham o hábito de consumir café tomavam entre três e cinco xícaras por dia. Após a avaliação inicial, esse grupo ficou duas semanas sem café nem outras fontes de cafeína. Depois, parte voltou à bebida tradicional, enquanto os demais passaram a consumir café descafeinado durante três semanas.

Após esse período, os dois tipos de café foram associados à melhora do humor, à redução do estresse e à diminuição da impulsividade. A versão com cafeína apresentou relação com atenção e ansiedade. Já o descafeinado esteve mais ligado à melhora da memória, do sono e da atividade física.

Alterações no intestino

Os consumidores de café apresentaram níveis maiores de algumas bactérias associadas a efeitos positivos para a saúde. Durante a interrupção do consumo, também foram observadas mudanças em metabólitos relacionados ao funcionamento cerebral e ao metabolismo.

O nutrólogo Diogo Toledo, do Einstein Hospital Israelita, afirmou que os resultados reforçam a conexão entre intestino e cérebro e mostram que os efeitos não parecem depender apenas da cafeína. Segundo ele, a bebida tem centenas de compostos bioativos, como polifenóis e antioxidantes.

O intestino participa da produção de neurotransmissores e substâncias inflamatórias que podem influenciar humor, memória, sono e cognição. Essa comunicação ocorre pelo sistema nervoso, pelo sistema imunológico e pelas bactérias intestinais.

Limitações do estudo

Os próprios autores ressaltaram que a pesquisa foi pequena e utilizou apenas café instantâneo. Como espresso, coado, em cápsula, prensa francesa e instantâneo têm diferenças na quantidade de cafeína, polifenóis e outros compostos, não é possível afirmar que todos os métodos de preparo produzam os mesmos efeitos.

O estudo também identificou maior impulsividade e reatividade emocional entre os consumidores antes das etapas de interrupção e retomada da bebida. Essa característica pode estar relacionada ao estímulo da cafeína no sistema nervoso central, com aumento de neurotransmissores como dopamina e noradrenalina.

Diretrizes internacionais consideram seguro o consumo de até 400 mg de cafeína por dia, o equivalente a cerca de três a quatro xícaras, dependendo do preparo. Não há, porém, uma quantidade ideal universal: fatores genéticos e a velocidade de metabolização influenciam a tolerância de cada pessoa.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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