Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Saúde

Saúde pública entra na agenda eleitoral com foco em filas e atenção primária

Especialistas apontam que financiamento, integração de dados e capacidade de execução serão centrais para as propostas de 2026.

Saúde pública entra na agenda eleitoral com foco em filas e atenção primária
Foto: Arquivo

A saúde pública deve ocupar espaço central nas estratégias dos candidatos à Presidência nas eleições de 2026. Especialistas defendem que o fortalecimento da atenção primária e o aprimoramento do prontuário eletrônico nacional sejam prioridades para melhorar a coordenação do sistema brasileiro.

Pesquisa do Instituto Ipsos divulgada em julho deste ano mostra que 35% da população consideram a saúde um dos temas mais preocupantes do país, atrás apenas de crime e corrupção. Outro levantamento da empresa aponta que 57% dos brasileiros avaliam a qualidade da saúde como “nem boa nem ruim”.

A percepção de melhora também aumentou. Em 2018, 18% dos brasileiros consideravam a saúde “boa” ou “muito boa”. Em 2025, o índice chegou a 34%. Ainda assim, os principais problemas apontados são os longos períodos de espera, a falta de investimento e a baixa atenção à prevenção.

Para Tacyra Valois, especialista em relações institucionais e saúde, um plano de governo mais detalhado não garante, por si só, a execução das propostas. A viabilidade depende de responsabilidades definidas, financiamento compatível, sequência de implementação, disponibilidade de profissionais, infraestrutura e mecanismos de acompanhamento.

“As propostas mais expostas ao risco são aquelas que anunciam grande escala ou resultados ambiciosos sem explicitar adequadamente custos, critérios de implantação, cronograma, responsabilidades federativas e capacidade territorial”, afirmou Valois.

Ela e Rafael Moredo, especialista em Gestão Pública, internacionalista e Coordenador de Políticas Públicas do Livres, avaliam que o desafio não é apenas listar problemas e programas, mas fazer o sistema funcionar como uma rede coordenada. Entre as prioridades estão a definição clínica e a transparência nas filas, com integração de dados entre unidades para evitar atrasos em diagnósticos e desperdício.

Entre janeiro e junho de 2024, 1.793 pessoas que aguardavam um transplante de órgão morreram no país, conforme dados da ABTO, com base em informações do Ministério da Saúde. No período, 22.986 pacientes entraram na lista, e as mortes notificadas corresponderam a 7,8%. A associação ressalvou que os registros não estão necessariamente relacionados à doença que levou cada paciente à fila.

Os maiores números de mortes foram registrados entre pacientes que aguardavam rim, fígado e coração: 1.210, 383 e 90, respectivamente. O tempo médio de espera era de oito meses para transplante de coração e 22 meses para rim.

Os cinco principais candidatos à Presidência — Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos — reconhecem problemas como filas, dificuldade de acesso a especialistas, desigualdades regionais, distribuição inadequada de profissionais e uso insuficiente de tecnologia.

Segundo Moredo, os planos diferem pelo grau de amadurecimento. Nenhum dos candidatos, porém, teria debatido o financiamento sustentável, apontado pelos especialistas como base das promessas. Valois defende que os eleitores cobrem planos com prioridades, custos, responsabilidades, etapas, metas e indicadores, para acompanhar orçamento, decisões, entregas e resultados durante o mandato.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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