Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Luz durante o sono pode alterar o coração, aponta estudo

Pesquisa associou noites com mais de 3 lux a alterações no músculo cardíaco e menor eficiência no bombeamento do sangue.

Luz durante o sono pode alterar o coração, aponta estudo

Dormir com mais de 3 lux de luz no ambiente foi associado a alterações na estrutura e na função do músculo cardíaco, segundo um estudo publicado na quarta-feira (9) no European Heart Journal. Os pesquisadores observaram que, quanto mais claro estava o quarto, maior era a extensão das mudanças identificadas.

A exposição noturna à luz pode engrossar as paredes do ventrículo esquerdo, reduzir o espaço interno dessa câmara e diminuir a capacidade do músculo cardíaco de se flexionar durante os batimentos. Essa redução é considerada um indicador precoce de disfunção cardíaca. Também foram encontrados danos em outras duas câmaras do coração.

Como o estudo foi feito

A pesquisa analisou o sono de mais de 11.000 pessoas sem doenças cardiovasculares que participavam do UK Biobank, banco de dados biomédico com informações genéticas e de saúde de 500.000 residentes do Reino Unido.

Durante sete dias, os participantes usaram um sensor no pulso para medir os níveis de luz à noite. Três anos depois, cada pessoa passou por uma ressonância magnética cardiovascular para avaliar a estrutura e o funcionamento do coração.

Em comparação com quem não ficou exposto à luz durante a noite, as pessoas que dormiram sob mais de 3 lux apresentaram espessamento das paredes da câmara do ventrículo esquerdo. O fenômeno, chamado de remodelamento cardíaco, pode estar relacionado à redução da eficiência do bombeamento do coração.

Para o autor principal, Lu Qi, professor titular e diretor do Centro de Pesquisa em Obesidade da Universidade de Tulane, em Nova Orleans, a poluição luminosa deve ser considerada um possível fator de risco cardiovascular. “A poluição luminosa emergiu como um novo fator de risco para doenças cardiovasculares”, afirmou.

O estudo também estimou que entre 24% e 49% do impacto observado no coração poderia estar ligado a uma duração menor do sono, de menos de cinco ou seis horas. Qi afirmou que a exposição à luz noturna pode afetar outros fatores associados às doenças cardiovasculares, como estresse, pressão arterial e frequência cardíaca.

Limitações e formas de reduzir a luz

Karl Lawrence, professor assistente no Instituto de Ciência Farmacêutica do King’s College de Londres, apontou limitações na pesquisa. O período de uma semana para medir a exposição à luz seria curto para representar o padrão geral, e o sensor no pulso não mede necessariamente a quantidade de luz recebida pelos olhos. Para ele, a relação entre os registros de luz e os exames cardíacos realizados três anos depois não demonstra causalidade.

Especialistas afirmam que um quarto destinado a um sono de qualidade deve ter, idealmente, no máximo 1 lux. O nível de 3 lux equivale à luz da lua ou à claridade que passa por baixo da porta fechada de um quarto.

Entre as medidas sugeridas estão o uso de cortinas pesadas ou persianas com blecaute, a redução da luz que entra por portas e janelas e o desligamento das luzes do corredor durante a noite. Fitas ou espumas de vedação podem ajudar a bloquear frestas. Se a claridade persistir, uma máscara de dormir pode ser utilizada.

Também é recomendado abrir as cortinas pela manhã para receber a luz do dia, que ajuda a regular o ritmo circadiano. Para a iluminação de cabeceira, especialistas sugerem lâmpadas em tons de branco quente, âmbar profundo ou vermelho. Luzes noturnas devem ser fracas, ficar próximas ao chão e ter tonalidades avermelhadas ou amarronzadas.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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