SÃO PAULO — Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidatos ao governo de São Paulo nas eleições de 2026, apresentam estratégias diferentes para a segurança pública. Tarcísio coloca a área como o primeiro dos dez objetivos estratégicos do plano “Trilha da Prosperidade”. Haddad propõe o programa “SP Protege”, baseado na criação de uma agência estadual de combate às facções, no uso de inteligência artificial e na divulgação de indicadores de criminalidade.
Tecnologia e combate ao crime organizado
O plano de Tarcísio prevê transformar o atual Centro Integrado de Comando e Controle no SP CIN (Centro de Inteligência e Inovação). A estrutura reuniria informações das forças de segurança, dados de ocorrências e chamadas do 190 para integrar o monitoramento e a resposta das polícias.
A proposta também prevê ampliar em 30% a Muralha Paulista e alcançar os 645 municípios paulistas. Nos dois primeiros anos de um eventual novo mandato, o programa teria mais de 160 mil câmeras e sensores interligados, incluindo reconhecimento facial e leitores automáticos de placas.
Haddad propõe uma Base Estadual Integrada de Dados Criminais para reunir informações de diferentes órgãos. O uso de inteligência artificial seria voltado ao cruzamento de dados, à identificação de áreas com maior incidência de crimes e à antecipação de situações de violência.
Para combater organizações criminosas, Tarcísio prevê usar o SP CIN e a Muralha Paulista na identificação e no acompanhamento de atividades criminosas. O plano também inclui o Fisp (Fundo de Incentivo à Segurança Pública), destinado a agilizar medidas contra recursos financeiros ligados ao crime organizado.
Haddad defende uma agência estadual de combate às facções, com a participação de forças estaduais e federais. A proposta prevê ampliar o compartilhamento de informações entre Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Federal, Ministério Público e outros órgãos, especialmente em investigações e no combate financeiro às organizações criminosas.
Policiais, câmeras e atendimento
Tarcísio prevê contratar 16,2 mil novos policiais, realizar 25 mil promoções e investir aproximadamente R$ 1,7 bilhão em infraestrutura policial. O plano também mantém ações de reconhecimento e valorização dos profissionais das forças de segurança.
Haddad propõe valorizar as carreiras policiais, melhorar as condições de trabalho e ampliar a integração entre as polícias estaduais e as guardas municipais. O programa inclui treinamento e modernização das estruturas de atendimento à população.
As câmeras corporais da Polícia Militar estão entre os principais pontos de diferença. Haddad defende ampliar o uso dos equipamentos como instrumento de transparência, controle da atividade policial e proteção da população e dos agentes. Tarcísio também passou a defender a ampliação das câmeras, mas concentra a principal estratégia tecnológica de seu plano na expansão da Muralha Paulista.
Na proteção contra a violência doméstica, Tarcísio prevê integrar no SP CIN os canais de atendimento da Polícia Militar, da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros, além de medidas para grupos vulneráveis. Haddad propõe o “BO pelo WhatsApp”, um 190 de resposta rápida e o uso de inteligência artificial para prevenir casos de violência doméstica.
Divulgação de resultados
Haddad também propõe o Placar da Segurança, com divulgação trimestral de indicadores sobre roubos, furtos, homicídios e feminicídios. A medida permitiria acompanhar o desempenho do Estado na resolução dos casos. Tarcísio aposta na integração de bancos de dados e sistemas de monitoramento para antecipar crimes e melhorar a resposta policial.








