Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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MP suspeita que auditor alertou fiscal sobre revisão de propinas na Fazenda de SP

Arthur Gatti teria avisado André Weiss sobre processos sob suspeita; juiz manteve medidas contra 27 investigados da Operação Caldarium.

MP suspeita que auditor alertou fiscal sobre revisão de propinas na Fazenda de SP
Foto: Reprodução

Promotores do Ministério Público de São Paulo suspeitam que o auditor fiscal Arthur Rafael Gatti, integrante da cúpula de um grupo criado para revisar ressarcimentos de ICMS-ST, tenha repassado informações a servidores ligados ao esquema de propinas investigado na Operação Caldarium.

Gatti era o número 2 do Grupo de Trabalho montado pela Diretoria-Geral Executiva da Administração Tributária após a abertura do inquérito. Em outubro de 2025, ele teria informado Valmir Lucas Dornelles, identificado pelos promotores como agente público corrupto, que avisaria o fiscal André Weiss sobre fatos relacionados a processos que poderiam ser revisados.

Weiss é o principal alvo da investigação e foi preso na quinta, 3, por ordem do juiz Nelson Augusto Bernardes de Souza. O caso envolve 27 suspeitos e apura um esquema bilionário de propinas na Fazenda do Estado de São Paulo.

Revisão de processos

A investigação aponta que Gatti contou a Valmir Lucas que o auditor Daniel Makita estava preocupado por ter processado irregularmente pedidos de ressarcimento de três redes de supermercados. Os procedimentos poderiam ser alcançados pelo grupo criado para reexaminar ressarcimentos de ICMS-ST sob suspeita.

O mecanismo conhecido como fura-fila teria sido instalado pelo auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, conhecido como King. Preso na Operação Ícaro, ele confessou ser o mentor do esquema. Segundo o Ministério Público, o auditor antecipava o ressarcimento de créditos tributários inflados a atacadistas e varejistas em troca de propinas que chegam a R$ 1 bilhão.

Os promotores suspeitam que Weiss queria restringir a revisão do grupo aos processos da Ultrafarma e da Fast Shop. Ao ser informado por Gatti sobre o andamento dos trabalhos, Weiss teria dito a Valmir Lucas para ficar tranquilo.

No dia seguinte ao aviso sobre a reunião com Weiss, Gatti recebeu novo contato de Valmir Lucas. Questionado sobre o encontro, respondeu: “Foi boa, página virada”.

Na decisão que autorizou a Operação Caldarium, Nelson Augusto afirmou que o episódio indicaria a possibilidade de uso de influência administrativa para controlar ou neutralizar a revisão de procedimentos investigados. O juiz ressaltou, porém, que a prisão preventiva não representa antecipação de pena e que os investigados permanecem protegidos pela presunção de inocência.

Prisões e medidas cautelares

Weiss ocupou o cargo de diretor-geral executivo da Administração Tributária e deixou a função em maio de 2026. Antes, foi delegado tributário de Jundiaí e diretor de Fiscalização. Para o magistrado, a saída do cargo não eliminou o risco apontado pelo Ministério Público, porque servidores sobre cuja trajetória funcional Weiss teria exercido influência continuam na Administração Tributária.

O juiz decretou a prisão de Weiss e do advogado João André Buttini de Moraes, apontado como elo entre grupos empresariais e o esquema de ressarcimento. As prisões, segundo a decisão, não foram determinadas automaticamente pela gravidade da investigação, mas pelas posições de comando atribuídas aos dois.

Os demais investigados estão sujeitos a medidas como afastamento funcional, monitoração eletrônica, proibição de contato e restrições de deslocamento. Todos os 27 investigados foram proibidos de manter comunicação direta ou indireta entre si e com testemunhas identificadas ou indicadas nos autos.

Também foi determinado o afastamento de funções públicas dos auditores fiscais André Weiss, Lisandra Cristina Greco Marquezi, Aldo Misael Pires Gomes, Bruno Alves de Oliveira, Fernando Santiago Miguel Gonzalez e Anderson Aparecido Carratu. A medida alcança cargos efetivos e comissionados, funções de confiança, substituições e participação em grupos de trabalho, comissões ou órgãos colegiados.

Os fiscais sob suspeita não podem entrar ou permanecer nas dependências da Secretaria da Fazenda e Planejamento sem convocação formal e autorização judicial. As credenciais de acesso aos sistemas informatizados da pasta, incluindo e-CredAc, e-Ressarcimento, SEI e sistemas de gestão da fiscalização, devem ser bloqueadas.

Providências da Fazenda

A Secretaria da Fazenda e Planejamento informou que atua com o Ministério Público na apuração dos fatos. As ações da pasta resultaram na demissão de cinco envolvidos, na exoneração de um servidor e no afastamento sem remuneração de 17 servidores.

A secretaria também informou que empresas envolvidas estão sendo responsabilizadas. Autuações específicas já resultaram na constituição de mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros.

A defesa de João André Buttini de Moraes afirmou que está tomando conhecimento dos elementos da investigação e das circunstâncias da operação. Disse que, após ter acesso integral aos autos, prestará os esclarecimentos necessários às autoridades competentes.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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