RIO DE JANEIRO — O Ministério Público do Rio de Janeiro pediu a condenação de quatro homens acusados de estuprar coletivamente uma adolescente de 17 anos em um apartamento de Copacabana, na Zona Sul do Rio. O processo está na fase final e aguarda as alegações finais das defesas antes da sentença.
Vitor Hugo Simonin, João Gabriel Bertho, Matheus Veríssimo Martins e Bruno Allegretti estão presos desde março. Os quatro negam o crime e afirmam que as relações sexuais foram consensuais. Um quinto envolvido, que tinha 17 anos, teve a internação determinada pela Justiça por seis meses em abril. Uma sentença aponta que ele convidou a adolescente e os amigos para o apartamento.
Durante os interrogatórios, os acusados disseram não ter percebido sinais de violência. Vitor Hugo afirmou se sentir “completamente injustiçado e constrangido” e sustentou que a relação foi consensual. João Gabriel disse que a jovem estava tranquila. Matheus declarou que ela saiu normalmente, sem reclamar. Bruno levantou a possibilidade de arrependimento posterior e negou que alguém tivesse feito gravações.
A adolescente afirmou à investigação que não consentiu em manter relações sexuais com o grupo. Ela relatou ter sido violentada e agredida com tapas, socos e chutes. Um laudo de exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física, incluindo ferimentos na região genital e equimoses, descritas como manchas roxas, nas regiões dorsal e glúteas.
Durante os depoimentos, o juiz mostrou aos réus fotografias das lesões e perguntou se eles haviam notado os ferimentos no quarto. Os quatro responderam que não e alegaram que o ambiente estava escuro.
O Ministério Público afirmou, nas alegações finais, que houve tentativas de desacreditar a adolescente durante as audiências. Para a acusação, a jovem foi tratada pelo grupo como “objeto de satisfação sexual”, e a violência teria envolvido não apenas a violação da liberdade sexual, mas também uma relação de domínio sobre o corpo da vítima.
A avó da adolescente, que atua como assistente de acusação, criticou a estratégia das defesas. Depois da apresentação das alegações finais dos quatro acusados, caberá à Justiça decidir pela condenação ou absolvição.








