MANCHESTER — Um homem britânico de cerca de 60 anos confessou ter drogado e cometido crimes sexuais contra a esposa durante 21 anos, dentro da casa do casal, no norte da Inglaterra. Ele admitiu dezenas de crimes praticados entre 2004 e 2025. Outros 12 homens respondem por acusações de abuso contra a mesma vítima.
O réu se declarou culpado de 45 acusações no Tribunal da Coroa de Minshull Street, em Manchester, pouco antes do início do julgamento. Em uma fase anterior do processo, ele já havia admitido outros 15 crimes.
Entre as acusações reconhecidas estão 21 estupros, 15 agressões com penetração, 11 agressões sexuais e o compartilhamento de imagens íntimas sem consentimento. O homem também admitiu ter dado uma substância à esposa para deixá-la inconsciente.
Acusações contra outros homens
A acusação afirma que a mulher era drogada pelo marido e, enquanto estava inconsciente, sofria estupros e outras formas de violência sexual dentro da residência do casal.
Os outros 12 acusados têm entre 28 e 74 anos e são suspeitos de abusos sexuais cometidos contra a mulher entre 2018 e 2025. As acusações incluem estupro, mas todos negam participação nos crimes.
O subchefe da Polícia da Grande Manchester, Rick Jackson, afirmou que a proteção da vítima continua sendo prioridade das autoridades. “Nosso foco continua sendo apoiar a vítima dessa terrível campanha de abuso ao longo dessa investigação muito complexa”, disse.
A identidade do marido não pode ser divulgada porque a vítima de crime sexual tem direito ao anonimato por toda a vida conforme a legislação britânica. A divulgação do nome dele também poderia permitir a identificação indireta da mulher.
Os 12 homens que negam as acusações serão julgados no mesmo tribunal. O processo deve durar vários meses, devido ao número de réus e à complexidade dos episódios investigados. Eles permanecem formalmente inocentes até eventual condenação.
Semelhança com caso na França
O processo britânico tem semelhanças com o caso de Gisèle Pelicot. Na França, Dominique Pelicot drogou a então esposa durante cerca de dez anos e permitiu que outros homens a estuprassem enquanto ela estava inconsciente. Ele foi condenado no fim de 2024.
As investigações indicaram que Gisèle foi estuprada pelo menos 92 vezes por 72 homens, com idades entre 21 e 68 anos. A acusação formal alcançou 50 outros réus além de Dominique Pelicot, enquanto 22 suspeitos não foram identificados ou localizados.
Gisèle abriu mão do anonimato e pediu que o julgamento fosse público. Segundo seus advogados, o objetivo era dar visibilidade à violência sofrida e ajudar a evitar crimes semelhantes contra outras mulheres.








