GLOUCESTERSHIRE — A polícia antiterrorismo do Reino Unido investiga a prisão de vários homens suspeitos de crimes relacionados a explosivos nas proximidades da base aérea RAF Fairford. O local é usado por forças dos Estados Unidos para realizar ataques contra o Irã.
A operação começou após a declaração de um incidente grave na instalação militar. Um esquadrão especializado em desminagem e remoção de artefatos explosivos foi enviado a Whelford, aldeia vizinha à base. Moradores foram retirados de suas casas e levados a um centro esportivo enquanto o Exército britânico inspecionava veículos.
As autoridades reforçaram a segurança na área, com fortificação das entradas da base, bloqueios rodoviários e presença de policiais armados durante o fim de semana. A Polícia de Gloucestershire confirmou que as detenções ocorreram com base na Lei de Explosivos e informou que a situação está contida.
Veículos são examinados por robô
Materiais apreendidos por agentes armados passaram por exames periciais para determinar o grau de periculosidade e verificar se poderiam ser usados em um ataque. A investigação não foi iniciada por relatórios prévios de inteligência.
Na tarde de domingo, imagens aéreas mostraram um robô operado remotamente examinando três vans suspeitas. As portas traseiras de duas delas estavam abertas, com objetos escuros de grande porte no interior.
Julian Tudsbury, morador de Whelford, disse ter visto os veículos nas primeiras horas da manhã de domingo (27). Ele contou que foi retirado de casa por volta das 7h, depois que policiais bateram à porta. Segundo Tudsbury, a pessoa que fez a denúncia inicial tentou ligar para a polícia da base aérea, mas acionou o serviço de emergência 999 quando não foi atendida.
As circunstâncias das detenções e a proximidade com RAF Fairford levaram as autoridades a considerar a possibilidade de envolvimento do Estado iraniano ou de outro governo estrangeiro. Fontes do setor de segurança afirmaram que todas as hipóteses continuam em análise.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, acompanhou o caso a partir de Liverpool e cancelou sua participação em uma partida de futebol entre jornalistas e políticos para atender a chamadas de emergência. Em nota, o governo afirmou que ele estava sendo atualizado sobre o incidente e que novos comentários seriam inadequados durante a investigação.
Base é alvo de protestos
RAF Fairford tem sido ponto de manifestações após o governo britânico autorizar o uso da base pelos Estados Unidos como local de partida para ataques contra posições de mísseis iranianos. Em julho, a Guarda Revolucionária do Irã advertiu a Grã-Bretanha contra a autorização para decolagens de bombardeiros americanos a partir da instalação.
A edição de maio do Royal International Air Tattoo, show aéreo realizado anualmente na base, havia sido cancelada em razão da escalada do conflito no Oriente Médio.
O secretário de Defesa britânico, Wes Streeting, agradeceu às equipes de emergência e aos especialistas envolvidos. A deputada Roz Savage, representante de South Cotswolds, afirmou que o incidente estava sob controle.
Um porta-voz da Força Aérea dos Estados Unidos disse que não comentaria detalhes operacionais das medidas de proteção. A 501ª Ala de Suporte ao Combate e outras alas americanas no Reino Unido, afirmou, permanecem vigilantes e avaliam continuamente os protocolos de segurança.








