VENEZUELA — Ao menos 39 presos por motivos políticos foram libertados entre sexta-feira e sábado na Venezuela, após o encerramento da segunda rodada de negociações entre o governo interino de Delcy Rodríguez e a oposição. A ONG Justiça, Encontro e Perdão confirmou diretamente as solturas neste sábado (26).
Organizações de direitos humanos estimam que cerca de 40 pessoas deixaram diferentes prisões do país. Entre os libertados estão cerca de oito mulheres acusadas de “narcoterrorismo” em 2021.
A rodada de diálogo terminou na sexta-feira com mediação dos Estados Unidos e aval de Washington. As negociações avançaram após a captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em janeiro.
Casos incluídos nas libertações
Seis pessoas libertadas são acusadas de envolvimento na chamada “Operação Gedeón”. O governo venezuelano afirmou, na ocasião, que civis e militares venezuelanos e americanos participaram de uma tentativa de derrubar Maduro.
Josnars Baduel está entre os detidos desse caso. Ele é filho do general Raúl Isaías Baduel, que ocupou o cargo de ministro da Defesa durante o governo do ex-presidente Hugo Chávez.
O Foro Penal também comunicou a libertação de Frank Cabañas, associado ao caso de Óscar Pérez. Pérez era inspetor de polícia e piloto, rebelou-se contra o governo de Maduro e morreu durante uma operação militar em 2018. Organizações de direitos humanos afirmaram que a ação foi uma execução extrajudicial, alegando que o grupo tentava se render. O caso chegou à Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Dinorah Figuera, líder das negociações pela oposição, defendeu a libertação dos demais presos políticos. A oposição se comprometeu a levar o tema à mesa de diálogo, como pedem familiares e organizações de direitos humanos.
O último balanço do Foro Penal, divulgado em 18 de setembro, registrava 344 presos políticos. A organização ainda não havia atualizado o número neste sábado. Rodríguez promulgou uma lei de anistia em fevereiro, mas as libertações têm ocorrido gradualmente.
Familiares fazem protestos frequentes. Um grupo continua passando as noites perto da Embaixada dos Estados Unidos na Venezuela e da prisão El Rodeo I, apontada por organizações não governamentais como centro de tortura.








