A União Europeia anunciou € 200 milhões para a Groenlândia nos próximos dois anos, durante uma visita da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, à capital Nuuk. O pacote prevê ações contra as mudanças climáticas, expansão das conexões de internet e melhorias em usinas hidrelétricas, pesca e educação.
O anúncio ocorre após Donald Trump repetir que os Estados Unidos deveriam assumir o controle da ilha por razões de segurança nacional. As declarações provocaram preocupações sobre a soberania da Groenlândia, resistência de líderes locais e dinamarqueses e aumento das tensões entre aliados da Otan.
“O futuro da Groenlândia cabe ao povo da Groenlândia e da Dinamarca decidir. Mais ninguém”, afirmou von der Leyen. Ela também citou a integridade territorial, a soberania e a inviolabilidade das fronteiras como princípios fundamentais do direito internacional.
Apoio europeu e reação dinamarquesa
Os recursos anunciados pela União Europeia também serão destinados à habitação, ao apoio a pequenas empresas e ao turismo sustentável. Von der Leyen disse que pretende dobrar o apoio orçamentário do bloco à Groenlândia para cerca de meio bilhão de euros a partir de 2028.
A declaração entre a União Europeia e a Groenlândia foi assinada pela presidente da Comissão Europeia, pelo primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, e pela primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen. A Groenlândia é um território semiautônomo da Dinamarca, que integra a Otan.
Nielsen classificou a União Europeia como “um amigo leal e de confiança” e disse que a ilha enfrenta novos desafios que não consegue enfrentar sozinha. Frederiksen afirmou que a Dinamarca esteve sob pressão e agradeceu o apoio recebido de parceiros europeus e de outros países.
Em janeiro, a Dinamarca e sete aliados europeus enviaram um pequeno grupo de militares à Groenlândia para exercícios voltados à segurança no Ártico. Trump ameaçou impor novas tarifas contra Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Holanda, Noruega, Suécia e Reino Unido. Os países afirmaram que a medida prejudicaria as relações transatlânticas, e Trump recuou depois que a Otan concordou em reforçar a segurança na região.
Nesta segunda-feira, 11 países da Otan iniciaram exercícios militares na Groenlândia, com cerca de 400 militares. As atividades Arctic Shield, realizadas de 7 a 18 de setembro, incluem tropas especiais do Canadá, da Dinamarca e da Finlândia. Nenhuma tropa dos Estados Unidos participa dos exercícios.








