A União Europeia pretende direcionar 200 milhões de euros a investimentos na Groenlândia e estreitar a cooperação com o território semiautônomo do Reino da Dinamarca. O anúncio foi feito nesta segunda-feira por Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, durante uma visita de dois dias à ilha.
Os recursos devem ser aplicados em minerais essenciais, comunicações via satélite e energia renovável. A iniciativa amplia o alcance do financiamento europeu, que já apoia a Groenlândia principalmente por meio de recursos destinados aos direitos de pesca e ao sistema educacional.
Von der Leyen afirmou que o futuro do território deve ser decidido pelos habitantes da Groenlândia e da Dinamarca. “A UE está em total solidariedade com o Reino da Dinamarca e o povo da Groenlândia”, disse a presidente em uma coletiva de imprensa.
A visita começou no domingo, quando von der Leyen chegou à ilha e fez um passeio de barco por um fiorde com pedaços de gelo. Em uma publicação no X, ela mencionou as paisagens da Groenlândia e as “cicatrizes visíveis das mudanças climáticas”. Também escreveu: “À medida que o gelo derrete, uma nova realidade está se formando”.
A presidente da Comissão Europeia disse ainda que o órgão apresentará uma nova estratégia da União Europeia para o Ártico nos próximos meses. O bloco considera a região cada vez mais relevante para sua segurança e seus interesses, em um cenário de derretimento do gelo, abertura de rotas marítimas e maior acesso a recursos minerais.
Donald Trump tem defendido que os Estados Unidos deveriam controlar a Groenlândia, o que provocou uma crise nas relações entre os Estados Unidos e a Europa e turbulência na aliança militar transatlântica da Otan. Autoridades europeias afirmam que o território está incluído no pacto de defesa mútua da organização e que os Estados Unidos já podem ampliar sua presença militar na ilha com base em um tratado de longa duração.
Trump e Mark Rutte, chefe da Otan, concordaram em Davos, em janeiro, que Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia iniciariam negociações. O entendimento também previa uma atuação maior da Otan na segurança do Ártico. As conversas trilaterais, porém, ainda não produziram um acordo, e Trump voltou a defender o controle americano durante uma cúpula da Otan na Turquia em julho.
A Groenlândia deixou a União Europeia em 1985, embora seus habitantes também sejam cidadãos da UE por terem cidadania dinamarquesa. A Comissão Europeia propôs elevar o financiamento destinado ao território de 225 milhões de euros no orçamento atual de sete anos para 530 milhões de euros entre 2028 e 2034.








