A Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve 43,8% dos votos na eleição regional da Saxônia-Anhalt, realizada no domingo (6/9), enquanto a União Democrata Cristã (CDU), partido do chanceler Friedrich Merz, alcançou 17,2%. O resultado ampliou a pressão sobre o governo alemão e deixou a legenda governista cerca de 20 pontos percentuais abaixo do desempenho anterior.
Merz afirmou nesta segunda-feira (7) que não pretende abandonar o comando do governo. Após reuniões com dirigentes da CDU em Berlim, ele reconheceu que sua imagem teve influência na campanha e avaliou a votação como a “mais dura derrota eleitoral da CDU em décadas”.
O chanceler também declarou que ficou “profundamente chocado” com o resultado e indicou que a mudança no cenário político ultrapassa o estado. A diferença de mais de 26 pontos percentuais entre AfD e CDU marcou a dimensão do revés sofrido pelo partido de Merz.
Apesar da derrota, Merz disse que continuará à frente da agenda de reformas. Ele pretende discutir os próximos passos com o Partido Social-Democrata (SPD), parceiro da CDU na coalizão, e admitiu negociar aspectos da reforma da Previdência e do alcance da reforma tributária.
O chanceler afirmou que será preciso apresentar melhor o programa do governo aos eleitores. Na avaliação dele, as reformas devem ser explicadas como meios para alcançar objetivos concretos, e não como objetivos isolados. Merz também declarou que sua determinação de continuar esse caminho permanece inabalada.
A pressão sobre o governo ocorre em meio a dificuldades para reanimar a economia estagnada e a divergências dentro da coalizão em temas sociais, especialmente as aposentadorias. Desde que assumiu o governo, em 2025, Merz adotou medidas mais rígidas contra a imigração irregular e colocou a recuperação econômica entre as prioridades da administração. Seus índices de popularidade, porém, continuam baixos.
O avanço da AfD será novamente testado em duas semanas, quando estão previstas eleições regionais em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Merz afirmou que, depois dessas votações, a CDU e a coalizão deverão avaliar o resultado e discutir possíveis mudanças na condução do governo.







