O chanceler alemão Friedrich Merz classificou como um “desastre” o desempenho da CDU nas eleições regionais em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Pesquisas de boca de urna realizadas por duas emissoras públicas indicaram a vitória da Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita, no estado do nordeste alemão.
A CDU obteve cerca de 5% dos votos, índice mínimo necessário para conquistar representação no parlamento regional. Merz convocou uma reunião de crise com dirigentes da legenda para avaliar os resultados das votações em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
O chanceler, que está no poder há 16 meses, também cancelou uma viagem à Assembleia Geral da ONU para lidar com as possíveis consequências eleitorais. As pesquisas apontam que a AfD sairá fortalecida no domingo, mas não terá condições de governar em nenhum dos dois estados mencionados. Há duas semanas, o partido já havia derrotado a CDU na Saxônia-Anhalt e chegado perto da maioria absoluta.
Pressão sobre o governo
A AfD é descrita como simpatizante dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin. O avanço da legenda coincidiu com uma queda expressiva na aprovação de Merz, que enfrenta dificuldades para aprovar reformas econômicas e sociais na coalizão com os social-democratas do SPD.
Na quarta-feira, chefes de Governo de oito estados, todos da CDU, declararam que a Alemanha precisa de “estabilidade, agora mais do que nunca”. Quando assumiu o poder, em maio do ano passado, Merz prometeu impulsionar uma economia enfraquecida, reconstruir as Forças Armadas diante da Rússia e reduzir a imigração irregular.
O pesquisador Roland Abold, do instituto Infratest Dimap, afirmou que a situação pessoal do chanceler é dramática. Analistas relacionam parte dos problemas às guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, que elevaram os preços dos combustíveis e afetaram a inflação. O economista-chefe do banco Berenberg, Holger Schmieding, também citou o aumento nos preços do petróleo e o debate sobre o futuro de Merz. Ainda assim, ele considera mais provável que o chanceler complete o mandato até 2029.







