Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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AfD amplia pressão sobre Merz em eleições regionais na Alemanha

Votações em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental podem confirmar avanço da AfD e aprofundar a crise da CDU.

AfD amplia pressão sobre Merz em eleições regionais na Alemanha
Foto: John Macdougall/Afp

As eleições regionais deste domingo, 20, em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental devem ampliar a pressão sobre o chanceler Friedrich Merz e sobre a CDU, União Democrata-Cristã. A AfD aparece em posição de destaque nas duas disputas, que encerram o calendário regional do ano e podem indicar tendências para as eleições gerais de 2029.

O pleito ocorre duas semanas depois da vitória da AfD na Saxônia-Anhalt, onde o partido conquistou 43,8% dos votos. O resultado abalou a confiança no governo alemão e aumentou a cobrança para que Merz responda à perda de força da CDU, especialmente em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.

Disputa apertada em Berlim

Em Berlim, considerada uma cidade-estado, os três primeiros colocados aparecem separados por poucos pontos na última pesquisa do instituto Infratest dimap. O Die Linke, de esquerda, registra 21% das intenções de voto, seguido pela CDU, com 20%, e pela AfD, com 19%.

A prefeitura é administrada atualmente por uma coalizão entre CDU e SPD, partido social-democrata de centro-esquerda. O resultado pode levar à formação de uma nova aliança, já que as duas regiões podem terminar sem maioria absoluta de uma legenda.

AfD lidera em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental

A expectativa é que a AfD conquiste sua segunda vitória regional consecutiva. A sigla aparece com até 38% das intenções de voto, enquanto a SPD tem entre 30% e 34%. O estado é governado por Manuela Schwesig, da SPD, em coalizão com o partido de esquerda.

Se confirmar o desempenho, a AfD terá ampliado significativamente seu apoio. Nas últimas eleições, a legenda havia obtido pouco menos de 17% dos votos. Ainda assim, o resultado pode não ser suficiente para formar um governo próprio, o que abriria espaço para coalizões entre os demais partidos.

Para Björn Bremer, professor do Departamento de Ciência Política da Central European University (CEU), a predominância da AfD obriga as outras legendas a se unirem para impedir que o partido chegue ao governo. “Essas coalizões diluem as diferenças entre os partidos tradicionais”, afirmou.

Pressão sobre o chanceler

A combinação entre o avanço da AfD e o desempenho ruim da CDU na Saxônia-Anhalt levou Merz a cancelar sua presença na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira, 22. O chanceler decidiu acompanhar as eleições na Alemanha.

Uma pesquisa do instituto Insa, realizada no início de setembro, mostrou que cerca de 58% dos apoiadores da CDU não consideram Merz a pessoa certa para ocupar o cargo de chanceler. Entre toda a população alemã, 78% disseram que ele não deveria ser premiê.

Apesar da crise, Merz não enfrenta, neste momento, uma pressão considerada suficiente para ameaçar seu governo. Ele também teve um resultado favorável nas eleições municipais da Baixa-Saxônia, realizadas em 13 de setembro. A CDU obteve a maioria dos votos e assegurou prefeituras de cidades importantes, entre elas Wolfsburg, sede da Volkswagen, que elegeu seu representante no primeiro turno.

A AfD, porém, triplicou sua votação na Baixa-Saxônia em relação a 2021. O partido havia alcançado 4,6% naquele pleito e chegou a 16,5% nas eleições do último domingo.

Coalizão ainda é considerada estável

O governo central afirma que sua estabilidade e sua capacidade de governar permanecem intactas. Uma reunião convocada por Merz para este domingo deve reunir líderes regionais da CDU em torno de uma resposta unificada ao desempenho da AfD e aos resultados do próprio partido.

“Fui eleito para um mandato de quatro anos e gostaria que usássemos esses quatro anos para conduzir o país para fora deste período difícil”, disse Merz a empresários na última semana. Ele acrescentou que não deseja uma crise de confiança no governo, mas reconheceu que não consegue evitá-la sozinho.

Para Matthias Enggist, pesquisador de economia e política comparada na Universidade de Zurique, uma queda imediata de Merz é improvável. As relações entre o chanceler, os aliados e integrantes da própria CDU, porém, podem se deteriorar com novos testes eleitorais.

Enggist também considera pouco provável um colapso imediato da coalizão entre CDU e SPD. Segundo ele, novas eleições poderiam ser arriscadas para os dois partidos, que enfrentam pesquisas desastrosas ou bastante ruins em nível nacional.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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