SÃO PAULO — A diferença de 20 anos entre bairros de São Paulo não corresponde à expectativa de vida ao nascer. O número vem do indicador “Idade Média ao Morrer”, calculado pela soma das idades das pessoas que morreram em um distrito dividida pelo total de óbitos registrados ali.
O indicador é publicado no Mapa da Desigualdade, elaborado pela Rede Nossa São Paulo desde 2014 e atualizado com essa métrica a partir da edição de 2016. Na edição de 2025, a diferença entre os extremos — como Cidade Tiradentes e Alto de Pinheiros — chegou a 20 anos.
Duas métricas diferentes
A expectativa de vida ao nascer exige outro cálculo. Ela é estimada com base em tábuas de mortalidade, que consideram os óbitos e o total de nascimentos no ano. Já a idade média ao morrer é influenciada pela composição etária da população de cada distrito.
Dados do documento “Indicadores Sociodemográficos da População Idosa residente na cidade de São Paulo”, publicado pela Prefeitura em 2020, apresentam a expectativa de vida ao nascer em 2017. Naquele recorte, a diferença entre os distritos com maior e menor expectativa era de 14 anos, enquanto a distância entre as idades médias ao morrer chegava a 20 anos.
A composição demográfica ajuda a explicar a diferença entre os indicadores. No Alto de Pinheiros, os moradores com mais de 60 anos representam 30% da população. No Jardim Ângela, essa parcela é de 11%. Em áreas com população mais idosa, há proporcionalmente mais pessoas idosas entre os óbitos, o que eleva a média. Em distritos mais jovens, ocorre o contrário.
A Rede Nossa São Paulo e a Prefeitura usam os nomes corretos para as duas métricas. A confusão aparece quando fontes secundárias apresentam a idade média ao morrer como se fosse expectativa de vida. Essa troca também pode ser reproduzida por ferramentas de inteligência artificial quando diferentes interpretações circulam com amplo embasamento online.
Mesmo na expectativa de vida ao nascer, as diferenças entre distritos são significativas. A mortalidade infantil, por exemplo, varia de 3 a cada mil nascidos vivos na Lapa a 14 a cada mil nascidos vivos em São Miguel Paulista. As métricas mostram diferenças entre os distritos, mas não devem ser tratadas como equivalentes.








