A União Democrata Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz, enfrenta uma forte queda nas projeções das eleições regionais realizadas neste domingo (20) na Alemanha. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o partido aparece com entre 5% e 5,5% dos votos, ante aproximadamente 13% em 2021. Se confirmado, será o pior resultado da legenda em uma eleição estadual desde o período posterior à Segunda Guerra Mundial.
A Alternativa para a Alemanha (AfD) lidera a disputa no estado do nordeste alemão, com entre 37% e 38%, conforme pesquisas de boca de urna divulgadas pelas emissoras públicas ARD e ZDF. O percentual supera em mais de duas vezes os cerca de 17% obtidos pela legenda na eleição regional de 2021.
O Partido Social-Democrata (SPD), que governa Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental sob o comando de Manuela Schwesig, aparece na segunda posição, com entre 35,5% e 36,5%. Antes da votação, os levantamentos indicavam uma disputa equilibrada entre o SPD e a AfD.
Desempenho dos partidos em Berlim
Na capital, a AfD também registra alta em comparação com a eleição anterior. As projeções apontam entre 13,5% e 16% dos votos, contra cerca de 9% em 2023. A legenda, porém, não lidera a disputa, concentrada entre o partido de esquerda Die Linke e a CDU.
O Die Linke aparece com entre 24,5% e 26%, mais que o dobro dos cerca de 12% registrados três anos atrás. A CDU, vencedora da eleição de 2023 com 28,2%, recua para aproximadamente 20%.
A crise habitacional, o custo dos aluguéis e as condições econômicas estiveram entre os principais temas da campanha em Berlim. As pesquisas anteriores já mostravam perda de apoio da CDU e crescimento da esquerda.
Pressão sobre Friedrich Merz
Os resultados ampliam a pressão sobre Merz, que está à frente do governo federal há cerca de 16 meses. O chanceler enfrenta dificuldades dentro da própria coalizão e entre dirigentes democratas-cristãos. A CDU governa a Alemanha em parceria com o SPD.
Antes da votação, Merz havia convocado uma reunião com dirigentes da CDU para avaliar o desempenho eleitoral e cancelado uma viagem à Assembleia Geral da ONU, em Nova York, diante da possibilidade de uma crise interna.
A AfD chega às disputas depois de obter quase 44% dos votos na Saxônia-Anhalt, duas semanas antes. Foi a primeira vez que a legenda liderou uma eleição estadual alemã no período posterior à Segunda Guerra Mundial.
O avanço da AfD dificulta a formação de governos regionais porque os principais partidos alemães mantêm a decisão de não formar coalizões com a legenda. A estratégia é conhecida no país como “cordão sanitário”.
Merz tenta reorganizar o governo enquanto trabalha em mudanças no sistema de bem-estar social, amplia investimentos nas Forças Armadas e conduz projetos de modernização da infraestrutura. Ao mesmo tempo, enfrenta perda de apoio popular e resistência a parte de sua agenda.







