Jeffrey Sachs prevê que uma mudança no controle da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos levaria a um processo de impeachment contra Donald Trump e abriria um período de dois anos de disputas entre o Executivo e o Legislativo. A avaliação foi apresentada em entrevista ao canal APT no YouTube.
Para Sachs, a política externa e militar dos Estados Unidos está há décadas fora dos limites constitucionais. Ele atribui esse cenário à influência do establishment da política externa e do complexo militar-industrial, que, em sua avaliação, não encontram limites suficientes no governo atual.
Eleição e possível impeachment
O economista afirma que Trump perderá ao menos uma das duas Casas do Congresso nas eleições legislativas de novembro caso a votação ocorra normalmente. A Câmara dos Representantes seria, para ele, a mais provável de passar ao controle dos democratas.
Sachs declarou que as cédulas seriam contadas corretamente com “80% de chance” e disse que uma interferência federal poderia provocar ruptura da ordem interna, manifestações e repressão. Ainda assim, considerou mais provável uma eleição normal, seguida pela perda da Câmara e por um impeachment.
Na hipótese de derrota, o presidente continuaria capaz de causar danos, mas ficaria concentrado nos procedimentos do processo, segundo o economista. Isso também dificultaria a mobilização de grandes esforços militares e poderia resultar em paralisia, confrontos e disputas durante dois anos.
Rejeição e problemas sociais
Sachs citou o apoio de cerca de 35% a Trump e a desaprovação próxima de 60%. Também afirmou que parte da população se opõe às guerras e que os jovens enfrentam dificuldades para entrar no mercado de trabalho.
O economista relacionou o descontentamento a problemas de saúde, como o custo de medicamentos, tratamentos dentários e consultas médicas. Segundo ele, a insegurança alcança até o percentil 90 da sociedade. Ao mesmo tempo, estimou que 25% ou 20% do público considera Trump seu salvador.
Política externa e cenário internacional
Sachs afirmou que Trump rompeu a promessa de campanha de não levar o país à guerra. Também disse acreditar que o assassinato de John F. Kennedy, em novembro de 1963, esteve ligado à tentativa de restringir o complexo militar-industrial. As investigações oficiais não estabeleceram essa tese como fato.
O economista avaliou ainda que uma mudança mais profunda poderia ocorrer após a eleição presidencial de 2028, com um novo presidente em 2029, embora não identifique atualmente uma liderança com esse perfil.
Na análise sobre a ordem internacional, Sachs disse que China, Índia, Rússia e BRICS terão papel central. Afirmou que o setor manufatureiro chinês tem cerca de três vezes o tamanho do setor dos Estados Unidos e previu a expansão dos veículos fabricados na China nos próximos 30 anos.









