SÃO PAULO — A crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes dominou o ato bolsonarista de 7 de Setembro na Avenida Paulista. Entre as principais pautas do comício de Flávio Bolsonaro estavam as críticas ao ministro e o apoio a André Mendonça, também integrante do Supremo Tribunal Federal (STF).
A avaliação política apresentada é que a tentativa de proteger Moraes pode produzir efeitos eleitorais contrários aos interesses do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição. O argumento é que o discurso segundo o qual Lula poderia indicar mais quatro ministros para o STF ultrapassa o grupo de apoiadores do bolsonarismo e pode alcançar outros eleitores.
A situação também é relacionada ao contrato firmado, por meio da esposa de Moraes, com o empresário Daniel Vorcaro. A análise sustenta que os valores recebidos pelo ministro, cuja atividade é descrita como não justificada, não podem ser equiparados a eventuais falhas formais atribuídas a Mendonça.
Disputa no Supremo
Mendonça liberou para julgamento o caso relacionado a um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens entre Moraes e Vorcaro. O episódio passou a ser tratado como uma disputa sobre procedimentos jurídicos e sobre a possibilidade de investigação de um integrante do STF.
A crítica central é que a atuação de integrantes da Corte e da direção da Polícia Federal para evitar o avanço do caso poderia reforçar a percepção de que o Supremo atua como aliado preferencial do governo Lula. O efeito político, segundo essa avaliação, seria o enfraquecimento do PT e o fortalecimento de Flávio Bolsonaro.
A relação entre Moraes e o senador também é apresentada como uma ironia política. O ministro conduziu o processo que levou o ex-presidente Jair Bolsonaro à prisão por tentativa de golpe de Estado. Flávio, por sua vez, teve decisões favoráveis no caso das chamadas rachadinhas.
Em novembro de 2021, a Segunda Turma do STF considerou ilegais provas contra Flávio no caso, com base em questões formais, e não no conteúdo das investigações.








