BRASÍLIA — O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), sofreu derrotas nas eleições do Amapá no domingo, 4. Os três candidatos apoiados por ele para o governo do Estado e para o Senado não foram eleitos. O resultado, porém, ainda pode mudar por causa de um recurso contra a candidatura de Antônio Furlan (PSD), vencedor da disputa pelo governo.
Furlan, ex-prefeito de Macapá, foi eleito no primeiro turno com 62,75% dos votos, contra 36,97% do governador Clécio Luis (União), que buscava a reeleição com o apoio de Alcolumbre. O julgamento do recurso está em andamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O relator, ministro Dias Toffoli, votou para barrar a candidatura, mas a análise foi suspensa após pedido de vista do ministro André Mendonça. Se o entendimento de Toffoli prevalecer no plenário, poderá haver nova eleição para governador do Amapá.
Disputa envolveu petróleo
A eleição para o Palácio do Setentrião foi marcada pela expectativa de um novo ciclo de desenvolvimento econômico a partir da exploração de petróleo na Margem Equatorial. A Petrobras confirmou a existência do recurso na região, e estimativas da indústria indicam que a produção pode elevar o PIB do Amapá em 61% nos próximos anos.
O Amapá concentra cerca de 70% dos eleitores nas cidades de Macapá e Santana. Furlan também tinha como argumento político a avaliação de seus dois mandatos como prefeito. Dos 16 prefeitos do Estado, 15 apoiaram a reeleição de Clécio Luis, mas o movimento não foi suficiente para superar a preferência por Furlan.
Durante a campanha, Clécio atribuiu ao grupo político dele a decisão da Petrobras de começar a exploração pelo Amapá. Depois da confirmação do petróleo na Margem Equatorial, Luiz Inácio Lula da Silva foi ao Estado em um gesto de apoio a Alcolumbre durante o período eleitoral.
Senado
Rayssa Furlan (Podemos), mulher do governador eleito, e Lucas Barreto (PSD) conquistaram as duas vagas do Amapá no Senado. Ela recebeu 29,98% dos votos, enquanto ele teve 24,22%.
Os eleitos derrotaram Randolfe Rodrigues (PT) e Alliny Serrão (União), candidatos da chapa de Clécio e apoiados por Alcolumbre. Randolfe obteve 18,55% dos votos, e Alliny, 9,68%. O senador petista deixará o mandato a partir de 2027. Alliny é presidente da Assembleia Legislativa do Amapá.
Recurso contra Furlan
A Procuradoria-Geral Eleitoral se manifestou contra a candidatura de Furlan três dias antes do primeiro turno. No parecer encaminhado ao TSE, afirmou que ele “é o único candidato que concorre sub judice” e defendeu que o registro fosse negado antes da votação.
O Ministério Público Eleitoral pediu a cassação do registro porque entende que Furlan renunciou ao cargo de prefeito de Macapá, em março, para escapar de um processo que poderia levar à cassação, situação vedada pela Lei da Ficha Limpa.
A defesa afirma que o processo foi protocolado somente depois da renúncia e que uma fraude documental inseriu o documento no sistema da Câmara Municipal com data anterior. A ação tem como base decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que afastou Furlan da prefeitura em investigação sobre desvio de emenda parlamentar e fraude licitatória.








