Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno das eleições de 2026. Nascido em Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, ele estudou até o ensino fundamental, trabalhou no sacolão de verduras da família e foi músico em uma banda de pagode.
Da Câmara ao Senado
A entrada na política ocorreu em 2016, quando Cleitinho foi eleito vereador de Divinópolis com 3 mil votos, alcançando a terceira maior votação daquele pleito no município. Segundo a biografia da Câmara Municipal, a decisão foi influenciada pelo irmão gêmeo, Gleidson Azevedo, que identificou a popularidade do político em vídeos usados para divulgar suas músicas.
Em 2018, durante o mandato de vereador, Cleitinho foi eleito deputado estadual com o apoio de 115 mil eleitores. Quatro anos depois, concorreu ao Senado e recebeu 4,2 milhões de votos, o melhor desempenho entre os senadores eleitos em Minas naquele ano. O mandato iria até 2031, mas ele terá de renunciar à cadeira após a eleição para o governo estadual.
A comunicação digital foi central nas campanhas de Cleitinho. Ele reúne mais de 4,5 milhões de seguidores no Instagram, e suas candidaturas anteriores foram divulgadas principalmente com vídeos e áudios nas redes sociais. Na ciência política, é classificado como um outsider, por ter chegado ao poder à margem do sistema tradicional e sem fidelidades ideológicas rígidas.
Mudanças durante a campanha
A candidatura ao governo mineiro passou por sucessivas alterações. Em abril, Cleitinho pediu que apoiadores não acreditassem que havia desistido da pré-candidatura. Em maio, declarou apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, sem confirmar seu próprio caminho eleitoral.
Em 18 de julho, seu irmão mais novo, Mateus Azevedo, morreu aos 30 anos por complicações de uma leucemia. No dia 25, Cleitinho não participou da convenção estadual do Republicanos. Quatro dias depois, o partido divulgou uma nota criticando a hesitação e negando a candidatura.
Em 3 de agosto, ele anunciou a desistência, mas voltou atrás no dia 7 e confirmou a candidatura. A indefinição afetou a articulação da direita em Minas. O PL considerava Cleitinho a primeira opção para liderar uma chapa de oposição a Lula, mas lançou Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
Incertezas sobre a gestão
Cientistas políticos apontaram dúvidas sobre o futuro governo, citando a ausência de propostas concretas e a falta de experiência administrativa. Lucas Gelape, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirmou que não havia um plano de governo estruturado capaz de indicar como Cleitinho pretende administrar o estado.
Também há questionamentos sobre a composição da equipe e os aliados do governador eleito. Durante a campanha, Mateus Simões (PSD) e Flávio Roscoe (PL) contestaram essas relações. Em debate da TV Globo, Simões mencionou Euclydes Petterson, deputado federal e presidente do Republicanos em Minas, além de Alex Diniz (PL), suplente de Cleitinho no Senado.
Para Gelape, a eleição no primeiro turno dá ao vencedor uma legitimidade popular maior e reduz a necessidade de negociar com grupos políticos que apoiaram outros candidatos. Carlos Ranulfo discorda e avalia que o respaldo dependerá da forma como o governo será conduzido, não da etapa em que a eleição terminou.
Ranulfo também relacionou a ascensão de Cleitinho ao peso das redes sociais na política. Na avaliação do cientista político, os debates não apresentaram indicações claras sobre propostas para impostos, arrecadação ou administração do estado. A vitória, portanto, encerra a disputa eleitoral, mas mantém dúvidas sobre as escolhas e o funcionamento da futura gestão.








