O deputado federal Filipe Barros (PL-PR), candidato ao Senado, é alvo de um pedido de investigação da Polícia Federal por iniciativas de seu mandato relacionadas aos interesses do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Entre elas está um projeto que ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por CPF ou CNPJ.
A proposta foi apresentada em 14 de novembro de 2024, permaneceu na Câmara até fevereiro de 2026 e acabou retirada pelo próprio parlamentar. A mudança poderia aumentar a capacidade de captação do Banco Master por meio de CDBs protegidos pelo FGC.
Projeto e relação com a “Emenda Master”
Em 2024, Barros apresentou o Projeto de Lei 4.395/2024, com conteúdo semelhante ao da proposta que ficou conhecida como “Emenda Master”, apresentada anteriormente pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo as investigações da Polícia Federal, a proposta de Ciro havia sido elaborada por integrantes do Banco Master e encaminhada ao senador.
Ciro Nogueira aparece nas investigações como beneficiário de viagens, hospedagens e outras despesas custeadas por Vorcaro. Um relatório da PF apontou ao menos R$ 468 mil nessas despesas.
Barros reconheceu que apresentou seu projeto depois de tomar conhecimento da proposta de Ciro, mas afirmou que os textos tinham diferenças e que sua intenção era proteger pequenos e médios investidores. A proposta nunca foi votada. Em 3 de fevereiro de 2026, depois da liquidação do Master e da primeira prisão de Daniel Vorcaro, a Câmara confirmou a retirada do texto.
Questionamentos no debate e na Câmara
No debate entre candidatos ao Senado promovido pela Band na última quarta-feira (9), Cristina Graeml (PSD) questionou Barros sobre a manutenção do projeto. A candidata apontou que o deputado afirma ter denunciado irregularidades relacionadas ao Master às autoridades em dezembro de 2024, mas manteve a proposta em tramitação até fevereiro de 2026.
Barros respondeu defendendo o projeto e afirmou que a medida buscava garantir o dinheiro dos clientes das instituições financeiras. Também atacou Graeml, dizendo que ela estaria “prestando um serviço ao sistema e à esquerda” após se filiar ao PSD.
As iniciativas associadas ao banco incluíram ainda requerimentos e ações na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. Em junho de 2025, quando presidia o colegiado, Barros convidou João Pedro Nascimento, então presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para uma audiência sobre os efeitos da regulação do mercado de capitais na soberania econômica nacional. O encontro ocorreu no mês seguinte.
O deputado também convidou Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, para comparecer à comissão. Como se tratava de um convite, ele não participou. Naquele momento, o BC já havia identificado problemas nas carteiras de crédito negociadas entre o Master e o BRB.
Em 3 de setembro de 2025, data em que o Banco Central rejeitou a compra do Master pelo BRB, Barros apresentou requerimento sobre o encerramento das liquidações extrajudiciais do Banco Econômico e do Banco Nacional. Os questionamentos atingiam a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, comandada por Renato Gomes, contrário à venda do Master ao BRB e defensor da liquidação do banco.
Pedido de investigação
O presidente do PT do Paraná, deputado estadual Arilson Chiorato, apresentou uma notícia de fato à Polícia Federal. O pedido solicita a apuração da origem das minutas legislativas, de eventuais contatos entre Barros e representantes do Banco Master e da existência de possíveis contrapartidas financeiras.
Até o momento, não há comprovação pública de que Barros tenha recebido pagamentos de Vorcaro ou de que seu projeto tenha sido redigido pelo banco. O deputado nega ter favorecido a instituição e afirma que suas iniciativas buscavam proteger investidores. Também diz ter sido um dos primeiros políticos a encaminhar denúncias sobre empresas que depois apareceram nas investigações do caso Master.









