A campanha para o segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro deve ser marcada por uma intensificação dos ataques e pela tentativa de desgastar a imagem dos adversários. Com três fins de semana até a votação, as campanhas terão tempo para construir ou destruir reputações.
A disputa tende a deixar as propostas de governo em segundo plano. Lula e Flávio precisarão convencer a maioria dos eleitores de que o adversário não tem condições de exercer a Presidência. O atual presidente afirmou que Flávio não teria nível para um embate de ideias, mas o desempenho do adversário no primeiro turno contrariou essa avaliação.
Pressão sobre as campanhas
A campanha de Lula deve procurar responsáveis pelo resultado da primeira etapa e buscar elementos para atacar o adversário. O presidente chegou ao segundo turno em posição diferente da registrada quatro anos atrás, quando estava à frente no primeiro turno contra Jair Bolsonaro. Desta vez, Flávio terminou na dianteira.
Flávio afirmou que o governo de Lula vai afundar o país e explorou o aumento dos preços no supermercado. A abordagem pode ter dialogado com eleitores preocupados com o orçamento doméstico, conforme a avaliação apresentada sobre a primeira rodada.
A previsão é de que denúncias e dossiês ganhem espaço na nova fase da disputa. Luiz Inácio Lula da Silva tem o filho, Lulinha, sob investigação. Também são mencionadas conversas dele com uma lobista que mantinha contato com um ministro da gestão petista. A avaliação é de que novos episódios relacionados ao caso poderão ser usados para tentar reduzir o apoio a Lula.
No campo de Flávio Bolsonaro, o texto menciona a relação dele com Daniel Vorcaro e sua participação em festas. Durante uma live no dia 1º, Lula falou sobre a relação com o banqueiro do Master e mencionou a necessidade de investigar “orgias”. A referência foi repetida no sábado, 3.
O nível das acusações dependerá, em parte, da percepção de risco de derrota de cada candidato. Quanto maior o temor, maior tende a ser a possibilidade de que as denúncias se agravem. Nesse ambiente, a exposição de informações sobre os políticos pode influenciar a decisão dos eleitores.








