O Partido Verde do Reino Unido aprovou no domingo (4) uma moção que classifica oficialmente o sionismo como uma forma de racismo. A decisão recebeu críticas de organizações judaicas britânicas e do governo de Israel, que passou a considerar a legenda política como “uma entidade que confere legitimidade ao terrorismo”.
A resolução também reafirmou o pedido para que o governo trabalhista britânico suspenda integralmente o comércio de armas e suprimentos militares com Israel. Em comunicado, o partido declarou apoio ao direito à autodeterminação e defendeu a criação de um único Estado democrático em toda a Palestina histórica.
A proposta foi aprovada por 1.022 delegados, contra 813 votos. O líder da sigla, Zack Polanski, não participou da votação e se absteve. Ele disputa uma eleição parlamentar complementar para ocupar a vaga deixada pelo ex-primeiro-ministro Keir Starmer em um distrito de Londres.
O Partido Verde obteve 6% dos votos nas eleições nacionais do Reino Unido em 2024. A legenda descreveu o sionismo como um projeto político etnonacionalista. O movimento é associado à criação do Estado moderno de Israel durante o século XX, enquanto grupos judaicos o definem como expressão do direito do povo judeu à autodeterminação.
Mothin Ali, vice-líder do partido e defensor da moção, relacionou a decisão às mortes de civis palestinos nas operações militares israelenses na Faixa de Gaza, após o ataque do Hamas em 2023 durante um festival de música. Em entrevista, afirmou que a resolução também define o sionismo como limpeza étnica e genocídio.
O governo britânico classifica as ações de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada como equivalentes a limpeza étnica, mas afirma que a avaliação sobre um possível genocídio nas demais operações cabe às instâncias judiciais internacionais. Israel rejeita as acusações e pediu que os partidos britânicos condenassem a decisão.
O Movimento pelo Judaísmo Progressista afirmou que o Partido Verde transformou o antissemitismo em política partidária e se tornou racista. Polanski e outros integrantes da legenda mantiveram a posição e disseram que o apoio aos direitos palestinos não entra em conflito com os direitos do povo judeu.








