NOVA YORK — Os Estados Unidos negaram novamente o visto de entrada a Mahmoud Abbas, presidente palestino, para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. O encontro começa na próxima semana, em Nova York, e a decisão impede que o líder da Autoridade Palestina faça o discurso presencial no principal evento anual de chefes de Estado e de governo da ONU.
A medida foi adotada pelo governo de Donald Trump pelo segundo ano consecutivo. No ano passado, Abbas também não conseguiu viajar aos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral e falou por videoconferência.
Justificativa dos Estados Unidos
O Departamento de Estado afirmou que a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), liderada por Abbas, não teria cumprido reformas acordadas com Washington. O órgão também acusou a organização de continuar envolvida em ações “que comprometem as perspectivas de paz”.
“Por isso, os Estados Unidos vão prorrogar as sanções que proíbem a concessão de vistos a membros da OLP e a responsáveis da Autoridade Palestina”, declarou o Departamento de Estado.
A Casa Branca acusa Abbas de não cumprir compromissos relacionados à paz no Oriente Médio. Também afirma que a Autoridade Palestina tenta levar o conflito com Israel a organismos multilaterais, entre eles o Tribunal Penal Internacional e a Corte Internacional de Justiça.
Washington ainda sustenta que a liderança palestina procura evitar negociações ao buscar o reconhecimento unilateral de um Estado palestino. Outras acusações envolvem a manutenção de pagamentos de “benefícios a terroristas” e a glorificação de “atos de terrorismo e terroristas” em declarações públicas e livros didáticos.
Reação palestina
O Ministério das Relações Exteriores palestino classificou a negativa como uma “decisão injustificada”. Para a Autoridade Palestina, a medida prejudica as tentativas de reconstruir a confiança e ampliar as relações com os Estados Unidos.
A decisão ocorre em meio ao aumento da violência nos territórios palestinos. Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967, e o cenário se agravou após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que iniciou a guerra na Faixa de Gaza.
A Assembleia Geral da ONU é um dos principais espaços diplomáticos para a defesa internacional da causa palestina. Com a restrição, Abbas fica novamente impedido de participar presencialmente do encontro em um período de tensão no Oriente Médio e de pressão internacional sobre a guerra em Gaza.








