NOVA YORK — O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, defendeu na Assembleia Geral da ONU o fim do poder de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança e uma representação mais equilibrada entre as regiões. Ele também propôs que uma mulher latino-americana seja escolhida para ocupar a secretaria-geral da organização.
Na quarta-feira (23), Sánchez afirmou que governos presentes na assembleia questionam regras internacionais, descumprem acordos e reduzem contribuições a organismos multilaterais. Na avaliação dele, essas ações enfraquecem as instituições e alimentam uma estratégia que classificou como uma “tentativa de demolição planejada e coordenada”.
“Subo a esta tribuna com um único objetivo: defender aquilo que muitos estão tentando destruir”, declarou. Sem mencionar Donald Trump, o premiê criticou políticas adotadas pelo governo dos Estados Unidos e por aliados que, segundo ele, atingem a ordem multilateral.
Sánchez associou a ofensiva à ideia de que o ganho de um país depende da perda de outro, ao desprezo pela ciência e à indiferença diante da fome e da destruição provocada pelas guerras. Para ele, o multilateralismo é essencial para administrar a diversidade e a interdependência entre as nações.
Reformas e prioridades internacionais
Além de pedir o fim do veto, o presidente espanhol defendeu mais recursos e capacidade de ação para órgãos, agências e programas da ONU. Também propôs o fortalecimento do Tribunal Penal Internacional para investigar e punir violações das normas internacionais.
Entre as prioridades citadas estão a reconstrução dos mecanismos de não proliferação e desarmamento nuclear, regras rigorosas para as redes sociais e normas para o desenvolvimento da inteligência artificial. Sánchez afirmou que os interesses das novas gerações devem prevalecer sobre os interesses econômicos dos grandes grupos de tecnologia.
Ao tratar da sucessão na ONU, lembrou que os nove secretários-gerais da história da organização foram homens. Ele questionou a ausência de uma mulher no comando e defendeu a escolha de uma representante da América Latina.
Sánchez apresentou a política externa espanhola como exemplo de sua posição. Disse que seu governo rejeitou a elevação dos gastos militares a 5%, impôs um embargo de armas a Israel e se opôs a guerras de agressão na Ucrânia, no Líbano e no Irã. Também voltou a condenar as ações do governo de Benjamin Netanyahu na Faixa de Gaza como genocídio.
Segundo o premiê, a Espanha dobrou os investimentos em cooperação internacional e ampliou em 60% sua contribuição ao sistema multilateral, enquanto a ajuda ao desenvolvimento diminuía em escala mundial. Sobre a crise migratória em Ceuta, defendeu uma resposta baseada na legalidade e nos direitos humanos.
Ao encerrar, Sánchez afirmou que a Espanha continuará apoiando a cooperação internacional e as reformas que considera necessárias para que a ONU enfrente conflitos e crises atuais.









