NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abrirá nesta terça-feira (22) o debate de alto nível da 81ª Assembleia Geral da ONU. O discurso será o primeiro entre os chefes de Estado e ocorrerá antes da fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Será a 11ª participação de Lula no encontro como presidente da República.
De acordo com o Itamaraty, Lula defenderá o multilateralismo, a soberania, a negociação para resolver disputas, o respeito ao direito internacional humanitário e a não interferência nos assuntos internos de outros países. A etapa de alto nível reunirá presidentes, primeiros-ministros e representantes dos 193 países-membros entre 22 e 28 de setembro.
O tema definido pela ONU para 2026 é “Restaurar a confiança, administrar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que produza resultados para todos”. A posição do Brasil no início dos discursos é uma tradição consolidada desde os primeiros anos das Nações Unidas, embora não esteja prevista em uma regra escrita.
Reforma do Conselho de Segurança
A reforma do Conselho de Segurança será um dos principais eixos da intervenção brasileira. O órgão tem 15 países, mas apenas Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido ocupam assentos permanentes e possuem poder de veto. Para o Brasil, a estrutura não representa a distribuição atual de poder e não contempla adequadamente regiões como América Latina e África.
Brasil, Alemanha, Índia e Japão formam o G4 e reivindicam assentos permanentes em uma eventual ampliação do Conselho. Lula também deverá rejeitar intervenções externas e medidas coercitivas unilaterais, além de defender o diálogo e as instituições internacionais para administrar diferenças políticas e comerciais.
O presidente abordará ainda o aumento das guerras, a proteção da população civil, o acesso à ajuda humanitária e a necessidade de negociações diplomáticas. A delegação brasileira participará de reuniões sobre a situação na Palestina, a solução de dois Estados, a consolidação da paz e a redução das desigualdades.
Agenda brasileira
Na quarta-feira (23), o ministro Mauro Vieira presidirá a reunião ministerial da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, criada durante a presidência brasileira do G20. Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, também participará do encontro, voltado à mobilização de recursos para segurança alimentar, proteção social e geração de renda.
Na quinta-feira (24), Vieira comandará a reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul. O Brasil preside o mecanismo, que reúne países sul-americanos e africanos banhados pelo Atlântico Sul e busca manter a região como espaço de cooperação, afastado de disputas militares entre grandes potências.
Antes do pronunciamento, Lula se reunirá com o secretário-geral da ONU, António Guterres. A agenda também prevê encontros com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o senador norte-americano Bernie Sanders e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.
A comitiva inclui Mauro Vieira, Wellington Dias, Esther Dweck, Luiz Eloy Terena e Rachel Barros. Lula deverá retornar ao Brasil ainda na terça-feira, depois do discurso.








