Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Lula defende reforma da ONU e multilateralismo em discurso na Assembleia Geral

Presidente brasileiro critica o unilateralismo, cobra mudanças no Conselho de Segurança e apresenta a coalizão P4M em Nova York.

Lula defende reforma da ONU e multilateralismo em discurso na Assembleia Geral

O presidente Lula ocupa nesta terça-feira (22) a tribuna da Organização das Nações Unidas (ONU) para abrir o debate geral da 81ª Assembleia Geral da entidade. A fala ocorre diante de representantes de quase 200 nações e segue a tradição atribuída ao Brasil desde 1947 de iniciar os trabalhos da reunião.

As diretrizes do pronunciamento foram antecipadas por Lula em uma entrevista. O presidente deve defender uma nova arquitetura de governança global, com rejeição à subserviência, ao avanço militarista, ao uso de sanções e às chantagens comerciais. Também deve criticar o enfraquecimento das instituições internacionais.

Coalizão pelo multilateralismo

Durante o discurso, Lula apresenta formalmente a coalizão Partners for Multilateralism (Parceiros pelo Multilateralismo), conhecida como P4M. A iniciativa foi articulada pela diplomacia brasileira com governos do Canadá, do Quênia e integrantes da União Europeia.

A proposta busca criar uma proteção institucional contra ações unilaterais de potências globais, especialmente diante de ameaças militares e da política de tarifas promovida por Donald Trump. Ao antecipar sua posição, Lula afirmou: “Não aceitamos imperadores. O comércio e a diplomacia têm que ser uma via de duas mãos, equilibrada e soberana”.

O presidente também deve citar a resposta brasileira a medidas protecionistas adotadas por Washington e que afetaram o comércio bilateral. Nesse período, o intercâmbio comercial do Brasil cresceu 20% com a China, 23% com a União Europeia e 18% com o Japão. As trocas com 57 nações do Sul Global e da Eurásia tiveram expansão média superior a 10%.

Conselho de Segurança e conflitos

Outro eixo central da fala é a crítica à paralisação do Conselho de Segurança da ONU e ao direito de veto dos cinco membros permanentes. Lula deve questionar a falta de ação das grandes potências diante da morte de dezenas de milhares de mulheres e crianças no conflito em Gaza.

O presidente também relaciona a ineficácia do órgão à guerra de atrito na Europa Oriental, aos confrontos no Oriente Médio e à situação no Estreito de Ormuz. De acordo com a avaliação apresentada, os impactos sobre a cadeia petrolífera mundial contribuem para o aumento da inflação e da fome entre populações desfavorecidas.

Lula sustenta que o mundo vive a maior quantidade de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial e compara os recursos empregados em guerras com a falta de financiamento para o combate à fome, a educação, a saúde e a emergência climática. Para ele, a ONU precisa ser reformulada para evitar o esvaziamento da organização e não repetir o desfecho da Liga das Nações.

A proposta inclui assentos permanentes com representação efetiva para a América Latina, a África e a Ásia.

Soberania e democracia

Em agenda oficial nos Estados Unidos, Lula também reafirma o princípio da autodeterminação dos povos e rejeita interferências externas nos assuntos da América Latina. O presidente cita a Venezuela como exemplo de país que não deve ser transformado em protetorado submetido a tutelas econômicas ou militares estrangeiras.

A posição defendida é que o voto soberano e a negociação sem bloqueios são os meios legítimos para resolver conflitos. Às vésperas do processo eleitoral no Brasil, Lula ainda leva à Assembleia Geral uma defesa da institucionalidade democrática.

O discurso apresenta a sociedade brasileira diante de uma escolha entre a civilização e a barbárie, com oposição entre a preservação de biomas estratégicos e a exploração predatória, além da inclusão social e das desigualdades. A mensagem dirigida às delegações, ao Sul Global e aos trabalhadores associa a governança do século XXI à preservação da vida e do meio ambiente, sem submissão a pressões bélicas ou ao capital desregulamentado.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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