NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira (22) os desmandos das superpotências ao abrir o debate geral da Assembleia Geral das Nações Unidas. Ele afirmou que a ONU vive seu momento mais crítico e apontou a paralisia do Conselho de Segurança diante de conflitos armados internacionais.
Para Lula, o direito de veto dos integrantes do Conselho de Segurança é um pecado original da fundação da organização. O presidente disse que a ONU não vem cumprindo a missão de proteger a humanidade das guerras e classificou o órgão como imobilizado.
Críticas à interferência externa
Lula apresentou o Brasil como um país amante da paz e relembrou o histórico de luta contra a ditadura militar e de defesa do país contra o golpe. Ao citar a parceria com a China, afirmou que o cenário internacional coloca países diante de escolhas entre multilateralismo e unilateralismo, democracia e extremismo, soberania e subordinação.
O presidente também mencionou o Grupo de Amigos da Paz, criado por Brasil e China, como uma iniciativa voltada ao diálogo entre países. Na avaliação dele, voltaram a crescer as tentativas de interferência eleitoral e de neocolonialismo.
Em referência aos Estados Unidos, sem citar nominalmente Donald Trump, Lula criticou as tentações hegemônicas na América Latina e no Caribe. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou. Ele também disse que a divisão do mundo em zonas de influência e as investidas neocoloniais por recursos estratégicos são práticas anacrônicas.
Sobre o combate ao crime organizado, Lula afirmou que entregou pessoalmente ao presidente dos EUA uma proposta para afastar a possibilidade de um cerco militar ao país. Defendeu cooperação e disse que não são necessários porta-aviões para vigiar as águas brasileiras.
Ao tratar das pressões econômicas dos Estados Unidos, o presidente declarou que o Brasil não cederá às multinacionais que querem privatizar o Pix.








