A troca de ameaças entre Irã e Estados Unidos se intensificou após ataques do movimento houthi contra Riad, capital da Arábia Saudita. O cenário elevou a pressão sobre rotas estratégicas de energia e aumentou o risco de cancelamento de voos e fechamento do espaço aéreo no Oriente Médio.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a liderança iraniana poderia enfrentar o colapso econômico ou perder o poder caso não aceitasse um acordo. Em resposta, o comando militar central do Irã declarou que uma nova ofensiva provocaria retaliação prolongada contra bases e interesses dos Estados Unidos.
As Forças Armadas iranianas também disseram que países aliados de Washington na região seriam considerados participantes do conflito se colaborassem com um ataque. O comando afirmou ter informações sobre a preparação de uma nova ofensiva, mas não revelou a origem dos dados nem os possíveis alvos.
Trump ainda indicou disposição para se reunir com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. O chefe de Estado do Irã é esperado em Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas, o que pode abrir espaço para contatos diplomáticos durante a escalada.
Ataques atingem a região de Riad
Os houthis lançaram mísseis e drones contra Riad depois de avanços militares na guerra civil do Iêmen, retomada com maior intensidade no início de setembro. Imagens mostraram uma grande coluna de fumaça preta perto do principal aeroporto internacional da capital saudita após explosões durante a noite. O governo da Arábia Saudita não comentou diretamente o episódio.
A coalizão liderada pelos sauditas, que combate os houthis no Iêmen, informou ter impedido outros ataques contra o território do reino. Riad agora enfrenta a decisão de manter os bombardeios ou reduzir as operações para tentar evitar novas ações contra aeroportos, instalações de energia e outras estruturas essenciais.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu um alerta de segurança sobre a possibilidade de uma escalada inesperada. O governo recomendou que cidadãos norte-americanos aumentem a vigilância e acompanhem possíveis cancelamentos de voos e fechamentos do espaço aéreo.
Estreitos sob pressão
Os avanços houthis pela costa do Iêmen levaram o grupo a posições próximas ao Estreito de Bab el-Mandeb, passagem entre o Mar Vermelho e as rotas marítimas da Ásia. A área concentra navios que transportam petróleo, gás e mercadorias entre a Ásia, o Oriente Médio, a Europa e o norte da África.
O Irã também restringe a maior parte do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz. Com as duas passagens ameaçadas, as exportações de energia do Golfo ficam quase isoladas dos mercados internacionais, pressionando as cotações de petróleo e gás.
Ormuz é a principal rota marítima de saída para a produção de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait e Iraque. Paralelamente, o bloqueio norte-americano aos portos iranianos impede Teerã de vender uma parcela significativa de seu petróleo e agrava a deterioração da economia do país.
O conflito começou após ataques realizados por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. Trump passou a mencionar a possibilidade de ampliar as operações militares, mas uma ofensiva de maior alcance ainda não foi concretizada.
Não há sinais concretos de retomada do cessar-fogo provisório firmado em junho. O acordo entrou em colapso em julho, após divergências sobre as condições acertadas. O governo iraniano reiterou que não reabrirá o Estreito de Ormuz enquanto os termos do acordo de junho não forem cumpridos conforme a interpretação de Teerã.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, defendeu a continuidade das ações militares e das negociações. Para ele, o país deve combater seus adversários e usar a diplomacia para consolidar eventuais avanços.








