A Argentina abrirá um processo para investigar possíveis vínculos entre 45 entidades e projetos de exploração de hidrocarbonetos nas proximidades das Ilhas Malvinas, informou a Presidência. O arquipélago, administrado pelo Reino Unido, é reivindicado por Buenos Aires.
O governo de Javier Milei também anunciou sanções mais severas contra iniciativas de petróleo na região. Em comunicado divulgado na noite de sexta-feira, 4, a Presidência afirmou que as medidas poderão atingir empresas envolvidas na exploração, seus acionistas e prestadoras de serviços.
“Será iniciado um processo de sanção não apenas contra empresas que estariam realizando ilegalmente atividades de exploração de hidrocarbonetos em nossa plataforma continental, mas também contra seus acionistas e empresas que lhes prestam serviços”, indicou o comunicado.
As entidades não foram identificadas oficialmente. Entre elas estariam empresas britânicas, canadenses, dinamarquesas, americanas, holandesas e israelenses.
Empresas negam participação
Na tarde de sábado, 5, as empresas de serviços petrolíferos Schlumberger, Halliburton e Baker Hughes divulgaram comunicados nos quais informaram que não participam nem preveem participar de projetos de hidrocarbonetos próximos às ilhas. Depois, Milei compartilhou na rede social X uma notícia sobre as manifestações das empresas, acompanhada da sigla “TMAP”, usada para indicar que tudo marchava de acordo com o plano.
O anúncio ocorreu após um discurso feito pelo presidente na quinta-feira, 3. Na ocasião, Milei afirmou que havia “ventos de mudança favoráveis” para a reivindicação argentina sobre as Malvinas.
As ilhas ficam a 600 km da Argentina e foram palco de uma guerra em 1982. O conflito terminou após 74 dias de combates, com a rendição do então governo ditatorial argentino. Morreram 649 argentinos e 255 britânicos.
A tensão diplomática aumentou depois de uma declaração de Donald Trump na segunda-feira, 7, sobre a posição de neutralidade dos Estados Unidos em relação às ilhas. Londres reafirmou que o arquipélago “são britânicas e continuarão sendo, porque essa é a vontade esmagadora de seus habitantes” e classificou seu compromisso como “inabalável”.








