O governo britânico afirmou nesta sexta-feira (4) que manterá nas Ilhas Malvinas as forças necessárias para defender a soberania do arquipélago enquanto os moradores desejarem sua permanência. A declaração foi dada após o presidente argentino, Javier Milei, anunciar sanções contra empresas que explorarem recursos naturais na região e a construção de uma base naval integrada na província da Terra do Fogo.
O porta-voz do governo do premiê trabalhista Andy Burnham declarou que as Forças Armadas do Reino Unido estão prontas para proteger o país e seus interesses. “Nossas forças armadas estão de prontidão 24 horas por dia, sete dias por semana”, afirmou.
Em uma coluna publicada nesta sexta-feira, o ex-primeiro-ministro Boris Johnson disse que as medidas de Milei têm relação com a eleição presidencial argentina de 2027. Johnson avaliou que o presidente argentino não pretende iniciar um confronto com o Reino Unido, mas pode estar usando uma postura nacionalista diante de uma campanha de reeleição considerada difícil.
O ex-premiê também pediu que Burnham determine rapidamente o envio de reforços militares às ilhas. Para Johnson, o governo britânico deve reafirmar que o arquipélago é britânico e que não aceitará provocações ligadas aos campos de petróleo do projeto Sea Lion.
A iniciativa argentina ocorreu depois de Donald Trump mencionar a possibilidade de reavaliar a posição dos Estados Unidos sobre a disputa. Atualmente, Washington mantém neutralidade, mas reconhece o controle britânico sobre as ilhas. Johnson associou essa declaração à irritação da Casa Branca com o antecessor de Burnham, Keir Starmer, que se recusou a ajudar Trump a abrir o Estreito de Ormuz.
O projeto Sea Lion prevê a exploração de uma reserva de petróleo situada 220 km ao norte do arquipélago. A operação é desenvolvida pela britânica Rockhopper e pela israelense Navitas e deve começar a extrair petróleo em 2028.
Argentina e Reino Unido travaram uma guerra pelo arquipélago em 1982, vencida pelos britânicos. Antes das medidas anunciadas por Milei, Buenos Aires mantinha a reivindicação de soberania por meios diplomáticos e em organismos internacionais. Em um referendo realizado em 2013, 99,8% dos moradores disseram preferir que as ilhas continuassem como território ultramarino britânico.








