A reação das empresas responsáveis pelo projeto Sea Lion indica que o empreendimento de petróleo nas Ilhas Malvinas deve continuar conforme o cronograma previsto, apesar das sanções anunciadas pela Argentina. Rockhopper, do Reino Unido, e Navitas, de Israel, afirmaram que as licenças concedidas pelo governo local das ilhas continuam válidas e que os acontecimentos recentes não devem afetar de forma relevante o desenvolvimento da iniciativa.
O projeto prevê o início da extração em 2028 em uma reserva localizada 220 km ao norte do arquipélago. As Malvinas são controladas pelo Reino Unido, mas reivindicadas pela Argentina. Em pronunciamento na noite de quinta-feira (3), o presidente argentino, Javier Milei, anunciou que aplicará sanções a empresas que explorarem recursos naturais na região.
Reação britânica e histórico da disputa
As medidas também incluem a construção de uma base naval integrada na província da Terra do Fogo, território que a Argentina considera relacionado às Malvinas. O governo do Reino Unido criticou o anúncio.
O ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, afirmou que a declaração de Milei refletia mais a política interna argentina do que a situação das ilhas. Ele também disse: “As Falklands são britânicas porque os habitantes das ilhas escolhem ser britânicos. Nosso compromisso com as Falklands é absoluto e inabalável”. Falklands é o nome usado por Londres para o arquipélago.
A disputa provocou uma guerra entre Argentina e Reino Unido em 1982, vencida pelos britânicos. Em 2013, um referendo realizado entre moradores das ilhas registrou 99,8% de apoio à permanência do arquipélago como território ultramarino britânico.
Relação com Israel
A participação da Navitas colocou o governo israelense em uma posição delicada diante da decisão argentina. Em dezembro de 2025, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, afirmou que a atuação envolvia uma empresa privada e não uma atividade do governo israelense, mas lamentou os sentimentos negativos provocados na Argentina. Sa’ar também defendeu que a disputa fosse resolvida por meio do diálogo e destacou a importância das relações entre Israel e Argentina sob a liderança de Milei.
Yair Netanyahu, filho do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, declarou recentemente que as Malvinas são argentinas. Depois das críticas britânicas, voltou ao tema e comparou a reação do Reino Unido à posição israelense sobre a Cisjordânia, Jerusalém e as Colinas de Golã.
A ocupação israelense da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental foi considerada ilegal pela Corte Internacional de Justiça em 2024, entendimento seguido por vários países, incluindo o Reino Unido.
A tensão ganhou novo elemento depois de Donald Trump dizer, na segunda-feira (31), que poderia reavaliar a neutralidade dos Estados Unidos na disputa. “Eu sempre revejo todas as posições. Essa é apenas uma entre muitas”, afirmou o presidente americano. O impacto das medidas argentinas sobre a relação com Israel ainda dependerá dos próximos desdobramentos.








