O Ministério de Minas e Energia autorizou o início dos testes da gasolina E35, com 35% de etanol anidro na composição. A avaliação começará na próxima semana, após a publicação de uma Portaria no Diário Oficial da União (DOU).
A nova mistura substitui, durante os testes, a referência atual de 32% de etanol presente na gasolina distribuída desde agosto de 2026. O cronograma foi aprovado pelo Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro (CTP-CF), mas a validade depende da publicação da Portaria. A aprovação da composição também cabe ao Conselho Nacional de Pesquisa Energética (CNPE).
O projeto está relacionado à Lei do Combustível do Futuro (14.993/24), que busca reduzir a emissão de gases poluentes e diminuir a vulnerabilidade dos preços às variações internacionais do petróleo.
Possíveis efeitos nos veículos
A maior presença de etanol pode elevar o consumo dos carros flex. Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), e Clayton Barcelos Zabeu, professor e pesquisador de Propulsão Automotiva no Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), afirmam que o poder calorífico do etanol é menor que o da gasolina.
Esse indicador mede a energia liberada por um combustível durante a queima completa. O etanol derivado da cana-de-açúcar equivale a 70% do poder calorífico da gasolina por litro consumido, o que tende a aumentar o consumo com a elevação do percentual na mistura.
Gonçalves explica que os motores modernos contam com recursos eletrônicos capazes de ajustar o funcionamento conforme o combustível identificado. “Ao detectar um combustível de maior octanagem, o sistema [de gerenciamento eletrônico] poderá se ajustar automaticamente”, afirmou.
Gabriel Estevam Domingos, engenheiro e diretor de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Ambipar, defende que os testes avaliem o desgaste de componentes, como correias e materiais sujeitos a alterações de pH. A preocupação é maior em veículos antigos.
Segundo Gonçalves, alguns desses carros podem sofrer ataques a materiais, corrosão de borrachas e elastômeros ou falhas provocadas pelos sensores. Muitos modelos antigos foram calibrados para gasolina com 22% de etanol, proporção que seria inferior à prevista para a E35.
Histórico da mistura
A gasolina comum brasileira tinha 22% de etanol por muitos anos. O percentual passou para 27,5% em 2015, permaneceu nesse nível por dez anos, chegou a 30% em agosto de 2025 e subiu para 32% menos de um ano depois.
A mistura de 32% enfrentou resistência de fabricantes e importadoras de automóveis. O Ministério Público Federal (MPF) pediu a suspensão da distribuição, mas a gasolina E32 circula no país desde 1° de agosto.








