Combustível adulterado pode afetar o motor, o sistema de injeção, bombas, catalisadores e outros componentes do veículo. Os danos variam conforme o produto utilizado, o grau de adulteração, o tempo de uso e as características do motor. Em casos mais graves, o prejuízo pode chegar a milhares de reais.
De janeiro a agosto, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) realizou 8.971 fiscalizações. Em 525 delas, houve infração de qualidade ou quantidade, o equivalente a 6%. As maiores incidências foram registradas no Rio de Janeiro (12%), em Alagoas (10%) e no Ceará (9%).
O Instituto Combustível Legal (ICL), em seu programa Cliente Misterioso, fez 2.101 coletas no mesmo período. Desse total, 681 apresentaram inconformidade de qualidade ou quantidade, índice de 32%. Rio de Janeiro (71%), Ceará (55%) e Maranhão (35%) tiveram os maiores índices.
Efeitos em cada combustível
Na gasolina, o excesso de etanol acima dos 32% permitidos pode causar corrosão precoce de componentes metálicos, ressecamento de mangueiras e falhas no sistema de injeção em veículos que não são flex. Em motores flex, o principal impacto apontado é econômico, porque o consumidor paga mais por um combustível de menor eficiência.
A adição de solventes industriais reduz a octanagem e pode provocar pré-detonação, conhecida como batida de pino. Com o tempo, o problema pode danificar anéis e pistões. Os solventes também podem contaminar o óleo lubrificante, degradar peças de borracha e entupir bicos injetores.
No etanol, o risco mais comum é o excesso de água. A legislação permite até 7% de água no etanol combustível. Acima desse limite, o chamado álcool molhado pode provocar corrosão e problemas no sistema de injeção. Misturado à gasolina, pode causar separação de fases e comprometer a combustão.
A tolerância para contaminação não intencional por metanol é de 0,5% em volume. Quando presente, a substância pode afetar o conjunto mecânico por apresentar acidez e corrosividade diferentes das do etanol.
No diesel, o excesso de biodiesel — cujo limite legal é de 15% — pode atingir tanque, filtro, sensores, bomba de alta pressão, flauta e bicos injetores. Também são comuns as adições de querosene ou nafta, que aumentam o volume e comprometem a função do diesel de lubrificar e refrigerar componentes. As consequências podem chegar ao DPF e ao SCR, sistema ligado ao Arla 32.
O Arla 32 não é combustível, mas também pode ser adulterado. O produto fora da especificação pode causar cristalização, entupimento de injetores, problemas na bomba e nos sensores e danos ao catalisador. O veículo pode entrar em modo de proteção e limitar o desempenho.
Sinais e prevenção
Motores com turbo, injeção direta, start stop e sistemas de eletrificação têm maior sensibilidade a combustíveis fora da especificação. Entre os sinais de adulteração estão dificuldade de partida, marcha lenta irregular, perda de potência, falhas nas acelerações, aumento do consumo, detonação ou pré-ignição, formação excessiva de depósitos e falhas no sistema de injeção.
Também podem ocorrer defeitos precoces em bombas, injetores, velas e componentes do sistema de pós-tratamento. O funcionamento inadequado reduz a eficiência do motor e pode aumentar as emissões de poluentes.
A recomendação é abastecer em postos conhecidos. As bombas devem estar lacradas e exibir informações exigidas pela ANP, como CNPJ, endereço correto do posto e selo do Inmetro. O consumidor pode solicitar o teste de proveta, que verifica a quantidade de etanol na gasolina e deve ser realizado na sua presença.
Os postos também são obrigados a fazer o teste de vazão, que compara a quantidade de líquido fornecida com o volume registrado na bomba. Nas bombas de etanol, deve haver um visor lateral transparente com termodensímetro para indicar a qualidade e a densidade do combustível.
Denúncias e informações podem ser encaminhadas à ANP pelo telefone 0800 970 0267 ou pelo site www.anp.gov.br. O ICL mantém informações em institutocombustivellegal.org.br.








