SALVADOR — A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Bahia (ABIH-BA) defende regras para aproximar as condições de concorrência entre hotéis e imóveis anunciados em plataformas digitais de aluguel por temporada, como o Airbnb. A entidade diferencia a locação eventual da exploração profissional e recorrente de hospedagem.
Segundo estimativa apresentada por Luciano Lopes, vice-presidente da ABIH-BA, os hotéis de Salvador movimentaram cerca de R$ 5,2 bilhões em 2025. O cálculo inclui receitas de hospedagem, alimentos, bebidas e outros serviços oferecidos pelos empreendimentos. Com uma carga tributária estimada em 18,3%, a projeção é de aproximadamente R$ 952 milhões em tributos.
A conta considera ISS, PIS, Cofins, ICMS, Imposto de Renda e Contribuição Social. Não entram nessa estimativa pagamentos como IPTU, taxas de localização e funcionamento, encargos sobre a folha de pagamentos, taxa de incêndio, quando aplicável, e outras taxas e contribuições.
“A dimensão econômica da hotelaria precisa ser reconhecida. Os hotéis mantêm empregos formais, compram de fornecedores locais, investem na qualificação dos trabalhadores e assumem obrigações tributárias e operacionais permanentes. Essa contribuição alcança toda a economia”, afirma Lopes.
Comparação com o Airbnb
Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado pelo Airbnb, estimou em mais de R$ 2,1 bilhões a movimentação econômica associada à plataforma em Salvador durante 2025. O levantamento apontou ainda mais de R$ 176 milhões em tributos relacionados à atividade e à cadeia econômica ligada ao Airbnb.
A ABIH-BA ressalta que os valores não usam a mesma métrica. Os R$ 5,2 bilhões atribuídos à hotelaria correspondem às receitas geradas diretamente pelos hotéis de Salvador. Já a estimativa de cerca de R$ 2,1 bilhões relacionada ao Airbnb considera impactos diretos e indiretos. A projeção dos hotéis também não inclui os efeitos econômicos indiretos gerados por fornecedores e prestadores de serviços contratados pelos empreendimentos.
Para Lopes, operadores profissionais e recorrentes devem cumprir obrigações compatíveis com a atividade. “Não é aceitável que negócios disputem o mesmo hóspede sob condições tão diferentes. Precisamos de regras que assegurem equilíbrio tributário e concorrencial”, declara.
Propostas de regulamentação
A entidade afirma que as diferenças entre os modelos de operação têm dificultado novos investimentos e projetos de ampliação de hotéis em Salvador e na Bahia. Na avaliação de Lopes, uma menor capacidade de reinvestimento pode afetar empresas e profissionais ligados à construção civil, ao fornecimento de alimentos, às lavanderias, à manutenção, ao transporte e ao trabalho no setor turístico.
Entre as propostas estão a identificação dos operadores, a transparência das receitas e a fiscalização das obrigações tributárias. A associação também defende exigências proporcionais de segurança, funcionamento dos imóveis e proteção dos consumidores nas operações profissionais de hospedagem.
A ABIH-BA pede atuação coordenada dos governos municipal, estadual e federal, respeitando as competências de cada esfera. A regulamentação, segundo a entidade, deve tratar de tributação, concorrência, segurança e defesa do consumidor, com critérios distintos para locações eventuais e atividades comerciais recorrentes.









