Michel Temer afirmou que o afastamento de integrantes da cúpula da Polícia Federal tornou mais difícil uma saída negociada para a crise no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi tomada por André Mendonça, que determinou a saída do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, nesta terça-feira (8).
Temer disse ter conversado por telefone com Alexandre de Moraes antes da medida e sugerido que o ministro procurasse Mendonça. Segundo o ex-presidente, o contato foi breve e não houve conversa com Mendonça.
“Disse um pouco que a solução ideal seria essa, mas foi simplesmente isso”, afirmou Temer, ao explicar a conversa com Moraes. Ele também declarou que os ministros deveriam buscar um entendimento dentro da própria Corte, em vez de levar o conflito a uma solução litigiosa.
“Ficou complicado. Eu reconheço que complicou bastante”, disse o ex-presidente ao comentar o afastamento dos diretores da PF. Temer afirmou que, até domingo, não havia uma decisão que considerasse mais rigorosa e avaliou que o cenário agora dificulta a composição. Ainda assim, disse esperar que os ministros encontrem uma solução de harmonia interna.
Escalada do conflito
A tensão no STF aumentou na última semana, depois que Mendonça, relator do inquérito do Banco Master, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento revelou conversas entre Daniel Vorcaro e Moraes.
Na quinta-feira (3), Moraes pediu a Fachin que analisasse acusações contra Mendonça relacionadas à condução de inquéritos. Moraes apontou possíveis irregularidades, incluindo improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade. Também afirmou que a atuação do colega poderia ter comprometido a imparcialidade judicial e favorecido determinados grupos políticos em casos ligados ao escândalo do INSS e ao Banco Master.
O pedido de afastamento de integrantes da cúpula da Polícia Federal ocorreu nesta segunda-feira. Temer indicou Moraes para o STF em 2017 e disse defender a pacificação e a tranquilização do país diante do impasse entre os ministros.








