O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou as acusações de irregularidade na investigação do caso Master. Relator inicial da apuração, ele respondeu ao pedido de esclarecimentos apresentado pelo presidente da Corte, Edson Fachin, sobre a identificação de Alexandre de Moraes em mensagens trocadas com Daniel Vorcaro.
A manifestação foi apresentada nesta terça-feira, 15, depois de Moraes enviar sua própria defesa a Fachin. O ministro acusou Mendonça de conduzir uma apuração “inconstitucional e ilegal”, motivada por “vingança” e por objetivos político-eleitorais. Também sustentou que o relatório elaborado pela Polícia Federal seria duplamente nulo e teria resultado de um direcionamento para incriminá-lo.
Justificativa para convocação de delegados
Mendonça afirmou que as providências tomadas durante o caso integraram a supervisão judicial da investigação. Ele havia determinado à PF que identificasse as pessoas citadas em diálogos e documentos retirados do celular de Vorcaro.
O ministro explicou que chamou delegados pessoalmente ao gabinete depois de documentos da corporação apontarem referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em material relacionado ao banqueiro.
A convocação ocorreu presencialmente em 24 de agosto, às 17h40. De acordo com Mendonça, a decisão de comunicar diretamente os delegados foi tomada por causa do conteúdo de uma Informação de Polícia Judiciária produzida pela PF. O documento mencionava que Rodrigues e Gonet apareciam em uma nota enviada por Vorcaro, pelo celular, a um interlocutor que ainda não havia sido identificado.
Mendonça disse que eram necessárias cautelas adicionais para limitar a circulação das informações às pessoas diretamente envolvidas na apuração. A providência, segundo ele, buscou “preservar a higidez dos autos e a eficiência das investigações”, sem atribuir suspeita a qualquer pessoa.
Fachin assumiu o procedimento depois de retirar de Mendonça a relatoria da apuração sobre as circunstâncias que resultaram no relatório da PF envolvendo Moraes. O presidente do STF abriu prazo para que Moraes, Mendonça, Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal se manifestassem sobre diferentes pontos da investigação.
As respostas foram apresentadas antes da análise, pelo plenário do STF, dos próximos passos das apurações sobre a relação entre Moraes e Vorcaro.








