Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Split payment terá adesão inicial voluntária e ainda depende de regras operacionais

Sistema vai separar IBS e CBS no momento do pagamento, mas a aplicação ao varejo e o custo por transação continuam sem definição.

Split payment terá adesão inicial voluntária e ainda depende de regras operacionais
Foto: Gabriela Biló/Estadão

A implementação do split payment ainda depende de definições regulatórias, embora empresas já estejam testando sistemas para a mudança. O mecanismo foi criado na Reforma Tributária para separar automaticamente os tributos no momento do pagamento e enviar os valores diretamente ao poder público.

A Receita Federal informou que a adesão será inicialmente opcional. A obrigatoriedade só começará quando os meios de pagamento estiverem prontos para executar o sistema, mas não há prazo definido para essa etapa.

Como funcionará

O modelo será aplicado ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). O IBS substituirá o ICMS, estadual, e o ISS, municipal. A CBS substituirá o PIS e a Cofins.

Hoje, as empresas recebem o valor integral da venda e recolhem os tributos posteriormente. Com o split payment, a parcela dos impostos será retida no instante da liquidação financeira e encaminhada ao Fisco, sem passar pelo caixa da companhia. Em uma compra de R$ 100, por exemplo, o vendedor pode receber R$ 70, enquanto o restante será destinado ao recolhimento fiscal.

O economista Bernard Appy, ex-secretário extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda, afirma que o sistema poderá reduzir fraudes e a inadimplência. Entre os problemas citados está a emissão de notas fiscais frias por empresas de fachada, que simulam operações para criar créditos tributários sem pagar os impostos correspondentes.

Empresas e varejo

A primeira fase deverá atender operações entre empresas, conhecidas como B2B. A aplicação para vendas a consumidores finais, no modelo B2C, ainda está em discussão. A Receita Federal prevê uma etapa futura, sem data, com possibilidade de retenção de um percentual preestabelecido do valor da operação. O Ministério da Fazenda afirma que, neste momento, a previsão contempla apenas transações entre empresas.

O impacto sobre o caixa preocupa companhias que dependem de capital de giro, porque os tributos deixarão de permanecer temporariamente com o vendedor. Appy, porém, disse que não há previsão de impacto sobre a liquidez do varejo na fase inicial. Nas operações B2B com prazo para pagamento, o sistema poderá verificar se o tributo já foi pago ou compensado.

Haverá duas modalidades. O split inteligente fará a separação no pagamento e devolverá ao vendedor, em até três dias úteis, valores retidos indevidamente. O split superinteligente será voltado a operações com prazo, como boletos. Em transações com vencimento entre 30 e 90 dias, a retenção poderá ser zero se o débito tiver sido quitado antes do pagamento.

Tecnologia e custos

Cada instituição financeira terá de criar sistemas integrados a uma plataforma pública de troca de informações em tempo real. Ubiratan Lima, diretor da unidade de bancos da Evertec Brasil, avalia que a principal dificuldade não é tecnológica, mas a falta de clareza sobre as regras. A transição poderá exigir o funcionamento temporário de dois sistemas fiscais e contábeis.

Os custos dependerão da quantidade de sistemas antigos que cada banco, instituição financeira ou fintech precisará adaptar. Também não está definido quem pagará a tarifa de cada operação. Uma possibilidade discutida é a cobrança de R$ 0,39 pelas empresas, mas o valor e a responsabilidade pelo pagamento ainda não foram estabelecidos, inclusive em transações canceladas ou estornadas.

O Ministério da Fazenda afirma que o split payment é um instrumento de simplificação tributária e que não haverá custo ou imposto adicional pelo uso do mecanismo. A Receita Federal também informou que não cobrará pela utilização da plataforma pública. Empresas responsáveis pelo desenvolvimento dos sistemas, contudo, ainda discutem como os valores da operação serão distribuídos.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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