A candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado pelo Paraná continua sem definição a poucas semanas das eleições de 2026. O processo sobre o registro chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última quarta-feira (16), depois que o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) aprovou a candidatura por quatro votos a três.
O caso está sob relatoria do ministro Floriano de Azevedo Marques Neto, mas o TSE ainda não estabeleceu uma previsão para o julgamento. A decisão da Corte será definitiva para o registro de Dallagnol na disputa por uma das duas vagas do Paraná no Senado.
No TRE-PR, os desembargadores que formaram a maioria avaliaram que, nas circunstâncias atuais, não estava configurada a causa de inelegibilidade discutida no processo. Os votos divergentes consideraram os efeitos de uma decisão do próprio TSE, que cassou, em 2023, o registro da candidatura de Dallagnol à Câmara dos Deputados.
A análise anterior levou em conta a saída de Dallagnol do Ministério Público Federal antes do encerramento de procedimentos disciplinares. Na ocasião, o TSE aplicou as regras eleitorais relacionadas à inelegibilidade. Agora, a Justiça Eleitoral deverá definir se aquele julgamento impede o registro para o Senado ou se o cenário atual permite a candidatura.
Enquanto o processo aguarda análise em Brasília, Dallagnol permanece sem uma decisão definitiva sobre sua candidatura. A defesa sustenta que o julgamento anterior não impede uma nova candidatura nas eleições deste ano. O texto também mantém aberta a possibilidade de uma eleição suplementar no Paraná.
Documentos sigilosos
A tramitação ganhou outro capítulo depois que a defesa de Dallagnol anexou documentos com dados fiscais e bancários sigilosos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin. O material foi apresentado durante a contestação dos pedidos de impugnação da candidatura.
Zanin acionou o TRE-PR e pediu a responsabilização dos envolvidos, inclusive na esfera criminal. O tribunal determinou que os documentos passassem a tramitar em sigilo e encaminhou o caso ao Ministério Público para análise das providências cabíveis.
Os advogados afirmam que os documentos integravam procedimentos já incluídos em reclamações disciplinares no Conselho Nacional do Ministério Público. Segundo a defesa, o material foi juntado integralmente para permitir a análise pela Justiça Eleitoral, sem intenção de expor os dados pessoais de Zanin.
Os documentos foram produzidos em 2019, quando Zanin ainda era advogado, e obtidos em uma investigação que envolveu a quebra de sigilos dele e da esposa. Posteriormente, essas medidas foram anuladas pela Justiça Federal.








