O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou o colega André Mendonça de explorar politicamente a divulgação de conversas que citavam o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em manifestações nas redes sociais, Mendes defendeu Gonet e classificou Mendonça como “boneco de campanha, um pixuleco eleitoral”.
Mendes afirmou que Gonet tem reputação ilibada e que sua conduta foi reconhecida como legítima pelo próprio relator durante a sessão. Para o ministro, Mendonça admitiu que não havia elementos contra o procurador, mas permitiu a exposição das mensagens e depois publicou um vídeo de agradecimento ao apoio popular.
Na avaliação de Gilmar Mendes, a sequência indicaria intenção de obter ganhos políticos com o episódio. Ele também comparou o caso a métodos atribuídos por ele à Operação Lava Jato, citando Deltan Dallagnol e Sergio Moro. Segundo Mendes, vazamentos seletivos seriam usados para formar um julgamento público antes da ação penal e enfraquecer o direito de defesa.
A manifestação ocorreu após sessão do STF na terça-feira (15), quando o plenário analisaria a autorização de uma investigação sobre Alexandre de Moraes e conversas com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Gonet negou ter relação com o empresário. Em seguida, Mendonça afirmou que as mensagens que mencionavam o procurador tinham outra densidade.
Mendonça havia divulgado um relatório da Polícia Federal com os nomes de Moraes, Gonet e Andrei Rodrigues, delegado-geral da corporação. O episódio agravou a crise no STF e expôs o procurador-geral da República.
Resposta de André Mendonça
Em nota, o gabinete de Mendonça afirmou que magistrados não devem comentar processos pendentes nem fazer juízos depreciativos sobre decisões judiciais, com base no artigo 36, inciso III, da Lei Complementar 35/1979.
O ministro negou complacência com vazamentos e disse ter determinado a apuração de toda divulgação indevida na investigação, incluindo uma frente específica diante da suspeita de participação de servidor da Polícia Federal. Também afirmou que a preocupação de Gilmar Mendes com a exposição de pessoas seria seletiva.
Mendonça rejeitou ter ameaçado alguém de execração pública, usado linguagem imprópria ou transformado o plenário em palanque. Para ele, houve tentativa de constrangimento do julgador, enquanto a divergência seria legítima em um tribunal colegiado.
Na nota, o ministro defendeu a aprovação de um código de ética para disciplinar a postura dos magistrados dentro e fora do STF, inclusive no relacionamento com os pares. Também pediu serenidade, respeito às instituições e observância das normas da República, da liturgia e do decoro. “O Supremo Tribunal Federal não pertence a nenhum de seus membros”, declarou.








