SÃO PAULO — A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) dominou o ato bolsonarista do 7 de Setembro na Avenida Paulista. Organizada por Flávio Bolsonaro (PL), a manifestação teve como principais bandeiras críticas a Alexandre de Moraes e apoio ao ministro André Mendonça, apresentado como antagonista de Moraes na Corte.
O movimento ocorre a menos de um mês das eleições presidenciais e transformou Moraes no principal personagem da disputa, após as críticas de Flávio e de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro ao magistrado. Flávio também defende o impeachment de ministros do STF.
Apesar de o ato ter reunido menos participantes do que o esperado, o candidato do PL não perdeu espaço nas pesquisas. Levantamento da Genial/Quaest divulgado nesta segunda-feira mostra Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio empatados com 41% nas simulações de segundo turno.
A campanha de Lula acompanha o cenário com preocupação. Flávio pediu R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sob a justificativa de financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Monitoramentos de redes sociais, porém, indicaram que a crise envolvendo Moraes tem sido mais perceptível para os eleitores.
Menções negativas a Moraes
Levantamento da empresa AP Exata no X e no Instagram desde o último dia 1.º apontou aumento das menções negativas a Moraes, especialmente em relação a André Mendonça. Para Sergio Denicoli, cientista de dados e CEO da empresa, a escolha de Mendonça como bandeira da direita permite à esquerda tratar a crise como uma disputa político-partidária no STF.
Denicoli afirmou que essa dinâmica estimula a reação da base governista e ajuda a impedir que o desgaste de Moraes seja transferido para Lula. Na avaliação dele, os atos reforçaram a mobilização da direita, mas não há evidência de mudança no equilíbrio de forças neste momento.
O presidente do STF, Edson Fachin, disse a Lula, durante uma conversa na tribuna de honra do desfile, que trabalha sete dias da semana. Até agora, não encontrou uma solução para a crise interna da Corte. O resultado das urnas, em outubro, deverá definir o futuro do STF, que enfrenta uma disputa entre suas correntes internas e cujos efeitos alcançam os Poderes.








