O enjoo de movimento pode aparecer em carros, trens, aviões, barcos e até no espaço. Os primeiros sinais surgem poucos minutos depois do início do deslocamento e podem continuar por horas após o fim do movimento. Calor, suor, tontura, dor de cabeça e cansaço costumam preceder a náusea e o vômito.
A explicação mais aceita envolve um conflito entre os sentidos. Durante a leitura no carro, por exemplo, os olhos identificam uma página parada, enquanto o ouvido interno percebe aceleração e rotação. Outra hipótese considera a diferença entre o que o cérebro prevê que os sentidos vão detectar e o que eles realmente percebem. Paul DiZio, neurocientista cognitivo da Universidade Brandeis, afirma que o cérebro cria um modelo do movimento e pode reagir mal quando a experiência não corresponde à previsão.
Crianças tendem a ser mais suscetíveis que adultos, possivelmente por ainda não estarem habituadas a esses movimentos. Pesquisas também indicam maior risco entre mulheres. Um estudo estimou que os genes respondem por 57% a 70% da suscetibilidade ao enjoo de movimento. Pessoas com enxaqueca, especialmente enxaqueca vestibular, também podem apresentar maior probabilidade de ter sintomas.
O que pode ajudar antes e durante a viagem
Anti-histamínicos vendidos sem receita podem ser eficazes, mas devem ser tomados antes de o movimento começar. A médica Kristen Steenerson, neurologista especializada no sistema vestibular da Stanford University School of Medicine, alerta que esses medicamentos podem causar sonolência.
A escopolamina, administrada por meio de um adesivo atrás da orelha, ajuda algumas pessoas, mas pode provocar boca seca. O produto não é recomendado para crianças ou idosos. No ano passado, a Food and Drug Administration aprovou o Nereus, medicamento de prescrição que atua sobre diferentes receptores do cérebro para prevenir o vômito provocado pelo movimento e pode causar menos efeitos colaterais, segundo James Phillips, neurofisiologista vestibular da Universidade de Washington.
Há também medidas relacionadas à posição e ao comportamento. Dirigir pode reduzir os sintomas porque a pessoa controla o ambiente. Para passageiros de carros, ficar na região central e olhar para a estrada pode ajudar. Em aviões, a recomendação é escolher a região central; em barcos, a parte superior, de onde seja possível enxergar o horizonte.
Respiração controlada, ar fresco, música agradável e aromas de rosa ou limão são citados por especialistas como possíveis formas de reduzir o desconforto. As evidências sobre gengibre e outros suplementos, porém, são mistas. A maioria dos estudos indica que pulseiras de acupressão e óculos contra enjoo não funcionam melhor que um placebo.
Habituação pode ser alternativa
Quando o problema continua limitando viagens e outras atividades, um fisioterapeuta especializado em neurologia ou reabilitação vestibular pode ajudar a identificar os movimentos que desencadeiam os sintomas. A exposição controlada e gradual a esses estímulos pode melhorar a tolerância com o tempo e, de acordo com Steenerson, ser mais eficaz do que muitas outras estratégias.
“Leva tempo e é desagradável”, afirma a médica, que acrescenta que o método pode funcionar “muito, muito bem”. Observar quais situações provocam o enjoo também ajuda no planejamento. Algumas pessoas reagem a determinados veículos ou movimentos, mas toleram outros sem os mesmos sintomas.








