Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Saúde

Contrabando de canetas para emagrecer cresce com alta demanda no Brasil

Apreensões de medicamentos ilegais à base de GLP-1 dispararam, enquanto autoridades investigam mortes e complicações associadas aos tratamentos.

Contrabando de canetas para emagrecer cresce com alta demanda no Brasil

A demanda por medicamentos para emagrecer impulsionou o contrabando de produtos à base de GLP-1 no Brasil. Em uma apreensão realizada em abril passado, agentes da Receita Federal encontraram centenas de ampolas de tirzepatida escondidas em potes de doce de leite dentro de um ônibus de turismo vindo do Paraguai. A carga ultrapassou 2.500 frascos, segundo a Receita.

Os medicamentos também são ocultados em escapamentos de motocicletas e solas falsas de sapatos. Entre os produtos mais procurados estão o Mounjaro, da Eli Lilly, e o Wegovy, da Novo Nordisk, que têm, respectivamente, tirzepatida e semaglutida como princípios ativos.

Entre 2018 e meados de agosto de 2026, autoridades brasileiras receberam notificações de 83 mortes suspeitas e mais de 3.600 complicações associadas a canetas para emagrecer. Mais de 60% dos registros ocorreram em 2025 e 2026. Não foi comprovado o papel das versões não autorizadas de GLP-1 nesses casos.

Mercado paralelo e fiscalização

O banco de investimentos Itaú BBA estima que 51% das vendas de medicamentos para emagrecer da classe GLP-1 no Brasil, em um mercado de R$36,8 bilhões, venham este ano de fontes não rastreadas. A estimativa inclui farmácias de manipulação e produtos contrabandeados do Paraguai.

As apreensões de medicamentos ilegais à base de GLP-1 passaram de 609 unidades em 2024 para 60.787 em 2025, de acordo com a Associação Brasileira de Combate à Falsificação. Os registros continuaram subindo este ano.

O T.G., fabricado no Paraguai pelos Laboratórios Indufar Cisa, é vendido legalmente em farmácias paraguaias, inclusive para brasileiros, e não tem aprovação das autoridades brasileiras. A Dinavisa, órgão regulador de saúde do Paraguai, afirmou que não é responsável pelo transporte dos medicamentos, embora tenha reconhecido que alguns cidadãos fazem isso de forma irresponsável.

A Anvisa diferencia produtos contrabandeados de medicamentos manipulados. Segundo a agência, apenas os primeiros burlam a avaliação oficial; os manipulados devem seguir padrões técnicos e passar por inspeções locais. Andreia Kohout, diretora farmacêutica da Associação Brasileira de Combate à Falsificação, afirmou que consumidores costumam considerar os manipulados idênticos aos produtos de marcas conhecidas e alertou para a existência de fornecedores não confiáveis.

A Eli Lilly informou que apoia as autoridades brasileiras no combate ao mercado ilegal e que busca ampliar o acesso aos tratamentos dentro das regras legais e de segurança. A Novo Nordisk disse que a maior visibilidade dos medicamentos à base de GLP-1 aumentou a circulação de produtos manipulados, falsificados ou importados de forma irregular.

Riscos e preços

Dois médicos, uma farmacêutica e uma autoridade brasileira relataram que armazenamento inadequado e exposição ao calor podem comprometer as injeções. As bulas do Mounjaro e do Wegovy apontam risco de pancreatite aguda em 0,1% a 1% dos pacientes. A Anvisa também alertou para riscos de aspiração e pneumonia durante anestesias, porque os medicamentos retardam a digestão.

A agência informou ainda ter observado aumento de relatos de pancreatite aguda ligada ao uso inadequado de GLP-1 e reforçou que os medicamentos devem ser utilizados conforme prescrição e sob supervisão médica.

O médico Leonardo Sebba, que trata a obesidade em Goiás, relatou casos de constipação grave entre pacientes que obtiveram as injeções por canais não oficiais. Pelo menos um paciente precisou passar por cirurgia por causa de complicações intestinais.

O preço é um dos fatores que levam consumidores ao mercado paralelo. Taiane Torres da Silva, tosadora de animais no Rio de Janeiro, ganha um salário mínimo e paga cerca de R$ 400 pelo T.G. a cada seis semanas. No Brasil, o Mounjaro para quatro semanas custa cerca de R$ 1.500 na dose mais baixa, de 2,5 mg. Uma caixa de Wegovy de alta dosagem, de 2,4 mg, com uma caneta e quatro doses, custa R$ 1.749 online pelo programa de suporte ao paciente.

Alternativas autorizadas e mortes investigadas

A taxa de uso de GLP-1 no Brasil é de 5,5% da população, acima da média global de 3,7%, segundo a Euromonitor International. As autoridades esperam que medicamentos autorizados e mais baratos reduzam a procura por produtos ilegais.

Em maio, a Anvisa aprovou o Ozivy, primeira alternativa nacional ao Ozempic no país. O produto é vendido por menos de R$ 500 para um suprimento de quatro semanas. Outras marcas foram aprovadas posteriormente.

Leandro Safatle, diretor-presidente da Anvisa, afirmou que a disponibilidade de produtos regularizados, com maior segurança e preço próximo ao das opções irregulares, pode levar os consumidores a procurar alternativas autorizadas.

Mais de 80 mortes ligadas a medicamentos para perda de peso estão sob investigação. Em João Pessoa, o diretor do Instituto de Medicina Legal, Flávio Fabres, analisou a morte de Jéssica Ataíde, de 31 anos. Ela morreu repentinamente enquanto usava um medicamento sem consultar um profissional de saúde.

Fabres disse que, pouco depois de uma dose, o nível de açúcar no sangue da mulher caiu, provocando hipoglicemia severa. Ela perdeu a consciência e morreu após se engasgar. A família preferiu não comentar, e não foi determinado qual medicamento para perda de peso ela usava.

Apesar dos relatos, alguns consumidores continuam usando as injeções. Vitória Braga, moradora do Rio, de 31 anos, afirmou que utiliza uma versão contrabandeada com o namorado e três parentes. Depois de um aumento na dose, passou quatro dias de cama com febre, náuseas e sintomas semelhantes aos de uma gripe, mas nunca consultou um médico.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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