Alejandro Betancourt, bilionário venezuelano que já foi investigado por lavagem de dinheiro nos Estados Unidos, tornou-se o principal parceiro de Washington em um acordo de petróleo com Caracas. Ele colaborou com autoridades americanas antes da captura de Nicolás Maduro e ajudou a intermediar negociações com o governo venezuelano.
O acordo anunciado em 28 de agosto prevê que os Estados Unidos tenham acesso, por décadas, a cerca de um quinto das reservas de petróleo bruto da Venezuela. O Escritório de Capital Estratégico do Pentágono ficará com 35% da North American Blue Energy Partners (NABEP), empresa de Betancourt e produtora de petróleo bruto no país.
O Departamento de Estado poderá comprar 20% do petróleo da NABEP a preço de custo e terá acesso preferencial aos 80% restantes da produção. A autoridade americana que falou sem se identificar disse que o histórico da empresa na extração de petróleo tornou Betancourt um parceiro adequado para ampliar a produção.
Colaboração com os Estados Unidos
Nos meses anteriores à captura de Maduro, Betancourt forneceu informações usadas para apoiar um bloqueio naval americano contra petroleiros sancionados que operavam na Venezuela. A operação levou à apreensão ou interceptação de mais de uma dúzia de embarcações, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
Ele também facilitou conversas com autoridades venezuelanas, entre elas Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência interina após a captura de Maduro. A operação de 3 de janeiro retirou Maduro do poder e o levou de avião para Nova York, onde ele deveria responder a acusações de tráfico de drogas. Maduro nega as acusações.
Depois da destituição, Betancourt continuou ajudando a intermediar acordos de petróleo e outras parcerias, além de facilitar a comunicação entre Washington e Caracas. Em janeiro, participou de negociações que levaram à exportação de mais de 135 milhões de barris de petróleo bruto e combustível para os Estados Unidos, a Europa, a Índia e o Caribe até o momento. O volume equivalia a cerca de metade das exportações de petróleo até o fim de agosto.
Betancourt também participou de reuniões no palácio presidencial de Miraflores. Ele estava no local durante a visita do secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, que confirmou sua presença a repórteres. Betancourt, porém, não apareceu ao lado de Wright e Rodríguez na cerimônia de assinatura dos acordos.
Investigações
Betancourt foi investigado nos Estados Unidos, na Espanha e na Suíça, mas nunca foi indiciado. No início deste ano, promotores federais americanos na Flórida suspenderam uma investigação sobre um suposto esquema envolvendo o desvio de mais de US$ 1 bilhão da petrolífera estatal venezuelana PDVSA e a lavagem do dinheiro por meio de imóveis em Miami e contas bancárias em Malta e na Suíça.
Duas pessoas disseram que os promotores foram posteriormente impedidos por superiores de continuar as apurações. Quatro pessoas afirmaram que os responsáveis pelo caso não receberam justificativa para a decisão.
Após a paralisação, autoridades americanas pressionaram o governo suíço a reduzir suas investigações sobre Betancourt. A Suíça retirou em maio um pedido de extradição apresentado ao Reino Unido, mas o Ministério Público de Zurique informou que o processo criminal continua em andamento.
“O processo criminal contra o acusado, por outro lado, não é afetado e continuará”, afirmou o Ministério Público de Zurique. A advogada da NABEP, Sarah Chouraqui, disse que as alegações foram examinadas por autoridades em várias jurisdições e que nenhuma acusação foi apresentada contra Betancourt.
A autoridade americana consultada afirmou que a maioria dos processos judiciais contra o bilionário tinha quase uma década e que ele atualmente não enfrenta problemas legais nos Estados Unidos. Não foi possível determinar quando a investigação federal foi suspensa nem se a decisão esteve ligada à cooperação de Betancourt com o governo americano.








