O Irã afirmou que continua disposto a negociar com os Estados Unidos, mas reagirá caso seja alvo de uma nova ofensiva militar. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, após Washington rejeitar uma proposta para interromper os combates por sete dias e reabrir o Estreito de Ormuz.
Araghchi disse que o país está aberto à “diplomacia real” e preparado para enfrentar novos ataques americanos, “mesmo que isso resulte em uma guerra apocalíptica”. A posição mantém a possibilidade de diálogo, mas não eliminou a divergência sobre os termos de uma trégua e sobre a circulação de navios pela passagem estratégica para o transporte de petróleo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esperar novas conversas com o Irã nesta semana. Até o momento, a disposição declarada pelos dois governos para negociar não resultou em um acordo sobre o fim dos combates nem sobre o trânsito marítimo em Ormuz.
O professor associado do King’s College London Andreas Krieg avaliou que a rejeição americana indica uma aposta de Trump no bloqueio naval e no isolamento econômico como formas de ampliar a pressão sobre Teerã. Para Krieg, o governo dos Estados Unidos interpreta a proposta iraniana como um sinal de fraqueza e considera que o tempo pode favorecer sua posição nas negociações.
Petróleo e rotas alternativas
O barril do petróleo Brent chegou a US$ 105,64. Dados da empresa de análise Kpler mostram que as exportações de petróleo do Oriente Médio alcançaram, em setembro, o maior nível desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro.
A média foi de 12,8 milhões de barris por dia, sendo 7,4 milhões transportados pelo Estreito de Ormuz. O total ainda ficou abaixo dos 18,8 milhões de barris diários registrados antes da guerra.
Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos desviaram parte dos embarques para portos no mar Vermelho e no golfo de Omã. Navios também passaram a usar uma rota próxima à costa de Omã, sob supervisão de militares americanos. O Irã afirma que embarcações sem coordenação com suas autoridades não podem atravessar a passagem.
O ministro saudita das Relações Exteriores, Faisal bin Farhan Al Saud, chegou a Washington para uma visita oficial. Ele deve se reunir com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para tratar de acontecimentos regionais e internacionais.








