O Irã afirmou neste domingo (27) que a reabertura do Estreito de Ormuz depende do cumprimento de condições apresentadas por Teerã. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, disse que o país ainda aguarda a transmissão oficial da posição dos Estados Unidos pelos mediadores do Catar.
A proposta foi apresentada na semana passada, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. O plano previa uma contagem regressiva de sete dias para a retomada da circulação pelo estreito e uma pausa nos combates regionais. A aprovação abriria caminho para conversas mais amplas entre as partes.
Divergência sobre a proposta
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou no sábado (26) que rejeitou o plano iraniano. Ele afirmou que o país busca um acordo para reabrir rapidamente a rota marítima porque estaria sofrendo perdas financeiras. Apesar da declaração pública, Araqchi disse que a recusa não foi formalmente comunicada pelos canais de mediação.
Representantes do governo norte-americano adotaram tom diferente do presidente e classificaram as conversas indiretas conduzidas pelos mediadores como positivas e construtivas. O governo dos Estados Unidos mantém um bloqueio econômico contra o Irã e afirma que a medida busca pressionar Teerã a interromper ataques a embarcações no Estreito de Ormuz.
Os incidentes reduziram o tráfego comercial na região, embora Washington sustente que controla a via navegável. O impasse já dura sete meses e afeta o fluxo internacional de petróleo. O Irã também conversa com a Arábia Saudita sobre a segurança no canal.
Programa nuclear e conflito regional
As negociações futuras podem incluir o programa nuclear iraniano. Trump apontou a prevenção de que o Irã obtenha uma bomba nuclear como um dos objetivos do conflito, além do encerramento da capacidade iraniana de atacar países vizinhos.
Uma autoridade sênior iraniana afirmou que Teerã não pretende ceder em relação aos direitos nucleares, incluindo a continuidade do enriquecimento de urânio e a permanência do estoque altamente enriquecido dentro do país. O presidente Masoud Pezeshkian declarou que o Irã aceita dialogar sobre o programa nuclear e outros temas, mas não sob intimidação. “O Irã não busca a guerra, mas se defenderá contra pressões, ameaças e ataques”, afirmou.
A guerra começou em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O conflito alternou pausas e novos bombardeios, enquanto Teerã e grupos aliados ampliaram os ataques na região.
No Iêmen, o Ministério da Saúde controlado pelos Houthi informou que sete pessoas morreram e 40 ficaram feridas, incluindo crianças, depois que um ataque aéreo atingiu lojas em um mercado no cruzamento de Mawiya, na província de Taiz. Mais tarde, o governo iemenita reconhecido internacionalmente disse que suas forças atacaram um acampamento militar e veículos dos Houthi no mesmo local.









